segunda-feira, 25 de março de 2013

Hitchcock


Anthony Hopkins, habituado a transfigurações que passam muito pela exigência de similitude com figuras reais - já foi Picasso, John Quincy Adams e Richard Nixon, embora não seja fisicamente parecido com qualquer um deles - possivelmente foi a melhor escolha para o protagonismo de Hitchcock. Desta vez o trabalho exigia mais do actor, uma vez que parte do público, conheça ou desconheça a obra do cineasta, estará familiarizado com a postura e os maneirismos do icónico realizador britânico, especialmente devido ao seu papel de anfitrião na série de TV Hitchcock Apresenta. Hopkins não consegue ao longo de todo o filme - acredita-se que por impossibilidade física - assimilar-se mais com "Hitch" do que está à vista no trailer. A maquilhagem, que mereceu (?) uma nomeação ao Oscar da categoria, não ajuda, antes pelo contrário transforma o boneco numa figura excessivamente caricatural. Porém é de um filme que falamos e não de um programa de imitações, logo o todo não se esgota no papel de Hopkins que, não sendo perfeito, é perfeitamente competente. Esta não é uma biopic do realizador, antes um retrato de determinado momento na vida de Alfred Hitchcock, o qual coincide em grande parte com a rodagem de Psico, mas também com a pressão sobre o seu casamento com Alma Reville. O filme deixa antever a possibilidade de uma película superior, com um outro argumento que não se limitasse a esta dupla função: mostrar os bastidores de Psico e a conturbada relação do realizador com sua mulher e colaboradora. A narrativa acaba, assim, por ser uma das principais falhas de Hitchcock. Hellen Mirren não está no seu melhor, mas dadas as circunstâncias não precisava de o estar. O resto do elenco não se compara à dupla e, por ter pouco tempo de ecrã, não conta sequer para uma avaliação geral do filme. Mau? Bom? Nem uma coisa, nem outra. Interessante para quem conhece a obra de Alfred Hitchcock, nem tanto para os restantes.

****** (6/10)

Miguel Ângelo Ribeiro