quinta-feira, 28 de março de 2013

Terra Prometida (Promissed Land)



Matt Damon e Frances McDormand (respectivamente Steve Butler e Sue Thomason) são dois funcionários de uma empresa enviados a uma pequena localidade rural no interior dos Estados Unidos para negociar os direitos de exploração de gás natural, um recurso em que aquela região é rica. E aparentemente é a única riqueza daquela cidade, cujos habitantes foram severamente afectados pela crise económica. Mas o que parecia um trabalho simples - afinal, se a terra é pobre, o mais provável seria agarrarem de imediato esta proposta que trará mais emprego e desenvolvimento à região - acaba por não ser. A chegada de um ambientalista, Dustin Noble (John Krasinski), o qual, alegadamente, representa uma organização que alerta para os riscos da exploração do gás natural, faz com que os habitantes pensem duas vezes antes de aceitar a proposta. Notícias sobre acidentes que ocorreram em outras cidades onde prospecções similares foram tentadas circulam pela localidade e Steve Butler, ele próprio oriundo de um cidade pequena, começa a ambientar-se e a criar amizade com alguns dos habitantes e coloca em questão o seu papel e os hipotéticos benefícios daquele negócio.
Gus Van Sant, realizador de O Bom Rebelde, Elephant e Milk, está habituado a tocar em temas polémicos nos seus filmes, desde os massacres em escolas secundárias, ao activismo político do homossexual Harvey Milk, passando pela recomposição frame a frame do clássico Psico, de Alfred Hitchcock. Bom, enfim, este último não debate um tema polémico, é apenas um pouco parvo... Desta vez é a facilidade com que as corporações põem e dispõem das pessoas, das comunidades, da utilização de recursos naturais e dos prováveis riscos que isso possa ter, em prol do lucro. E é também uma visão político-económica sobre a exploração dos menos afortunados. Aqui, ao contrário da maioria dos casos no mundo real, as vozes que se levantam contra o projecto acabam por fazer com um dos funcionários da corporação mude de ideias, ainda que tal não constitua um golpe final nos intentos da empresa. Matt Damon está bem no seu papel (o que muitas vezes não acontece) e Frances McDormand é sempre uma aposta segura, tal como o veterano Hal Holbrook, num dos papéis secundários. A parte positiva está arrumada. Agora chegamos à parte negativa. Um drama com laivos políticos, ambientado na América profunda empobrecida e explorada pela "evil corporation" poderá não ser o filme ideal para o público português. Não fosse o facto da crise ser mundial e temáticas como esta terem começado a invadir a Europa através da comunicação social e documentários virais e ainda seria menos. Hoje em dia talvez já seja possível uma maior identificação com os problemas daquela comunidade, tipicamente norte-americana. Ainda assim, é um filme lento, que vive sobretudo dos dramas pessoais que acarreta a concretização do projecto de exploração de gás. Recomendável a quem gostou de Milk e aprecia o estilo de Gus Van Sant.


****** (6/10)