segunda-feira, 25 de março de 2013

Robot e Frank (Robot & Frank)


Num futuro próximo e indeterminado, Frank Langella é um cidadão idoso com um passado pouco recomendável e um presente incerto. Conflitos familiares, uma personalidade difícil e uma temporada na prisão tornaram os "golden years" de Frank - Frank o personagem, não Frank o actor - num período conturbado, sobretudo quando se torna aparente que viver sozinho é uma opção arriscada devido aos lapsos de memória constantes do ex-ladrão. É por isso mesmo que um dos filhos de Frank, Hunter (James Marsden), decide oferecer ao pai um robô programado para cuidar das tarefas domésticas. Mas Frank não é um apreciador das novas tecnologias - é um dos últimos frequentadores da biblioteca local, a qual está prestes a ser "modernizada" - e a presença do robô em sua casa só é aceite após muita insistência do filho. Por ser ligeiro, mas no bom sentido, o filme acaba por debater temas sérios sem cair no dramatismo excessivo e enfadonho. Frank está senil e fragilizado, mas ainda sonha com os seus tempos áureos. Quando percebe que o robô, embora programado para tarefas de rotina doméstica, é capaz de aprender alguns truques que o ex-ladrão de jóias nunca esqueceu, Frank aproveita as capacidades da máquina para colocar em prática os últimos golpes de uma carreira de crime que parecia ter terminado. Aqui começa uma curiosa relação de cumplicidade entre o idoso avesso à tecnologia e o robô que, por ser uma máquina amoral, ou porque a sua programação o obriga a apoiar Frank, o ajuda a cometer vários crimes. Enquanto esta improvável amizade é solidificada, mantém-se a tensão entre Frank e os seus filhos e é revelado o seu carinho pela bibliotecária Jennifer (Susan Sarandon), na realidade a ex-mulher de Frank, cuja verdadeira identidade constitui um dos grandes lapsos de memória do protagonista. Uma narrativa assente em dualidades, que passam pelo conflito de gerações, a resistência à mudança, o interesse meramente arqueológico das novas gerações pelo passado recente, mas na qual o humanismo acaba por ser o valor que prevalece, mesmo quando o robô acaba por ser mais humano do que metade do elenco de secundários. Frank Langella-  muito bem secundado por Susan Sarandon e Peter Sarsgaard (que embora nunca apareça, dá a voz ao robô do título) - é o grande motor deste filme independente realizado pelo estreante Jake Schreier.

******* (7/10)

Miguel Ângelo Ribeiro