terça-feira, 30 de abril de 2013

Novo romance de Joe Hill lançado hoje



Sai hoje o novo romance de Joe Hill, NOS4A2 (é suposto pronunciarmos Nosferatu). Ser filho do Stephen King funciona como uma recomendação ao contrário, mas há que tentar alguma imparcialidade e ignorar esse facto. Heart Shaped Box, o primeiro livro do autor, foi uma leitura interessante. Este vai ficar no topo dos livros a ler.

Sergio Leone - uma filmografia em imagens








In Memoriam - Sergio Leone



Sergio Leone (3 de Janeiro de 1929, Roma, Itália-30 de Abril de 1989, Roma, Itália). Morreu há 24 anos o homem que cozinhou o Western com esparguete, entre muitos outros pratos de pasta.

Focus Home Interactive mostra imagens do novo Sherlock


Um tech demo da próxima entrada no franchise Sherlock Holmes, da Frogwares/ Focus Home Interactive. O vídeo mostra-nos a evolução do jogo, que deixará de correr no engine próprio da Frogwares e passará a usar o muito mais versátil Unreal Engine 3. Se o Testament of Sherlock Holmes já foi um passo em frente na actualização desta série de aventura, espera-se muito mais de Crimes & Punishments. As imagens falam por si.

Aniversário de Lars Von Trier



Lars Von Trier é o aniversariante de hoje. Nascido em 30 de Abril de 1956, em Copenhaga, Dinamarca. Polémicas e flops recentes à parte, só o que fez na década de 90 já valeu. Aqui gosta-se particularmente da série Riget (1994).

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Aniversariantes do dia




Aniversariantes do dia, uma com 55, Uma com 43. E diz que estão bem conservadas, Uma e a outra (a outra mais do que a Uma, digo eu, que prefiro a Michelle). Também estão de parabéns o Jerry Seinfeld e o Daniel Day-Lewis, mas são muito mais feios, por isso não merecem foto.

domingo, 28 de abril de 2013

Happy birthday Mrs. President








A aniversariante do dia é Mary McDonnell, de 61 anos, nascida a 28 de Abril em Wilkes-Barre, Pennsylvania, EUA, que aqui conhecemos melhor como presidente Roslin, da série Battlestar Galactica. Happy Birthday, Mrs. President, so say we all!

Primeira edição do Key Largo Humphrey Bogart Film Festival prestes a começar



Jack Huston, neto de John Huston e um dos actores da série Boardwalk Empire, será o anfitrião da primeira edição do Key Largo Humphrey Bogart Film Festival, um evento que homenageia a carreira do protagonista de Casablanca. O festival, realizado em Key Largo, Florida, realiza-se entre os dias 2 e 5 de Maio. É um pouco longe, mas uma curiosidade interessante Mais informações aqui.

Mars: War Logs (PC)



Mars: War Logs, anteriormente conhecido como Mars, da Spiders, era um projecto de jogo mencionado em fóruns e sites da especialidade há cerca de dois anos. Subitamente, sem ter sido previamente anunciado com rigor, foi lançado no mercado no passado dia 26 de Abril. Trata-se de um RPG de ficção científica, com elementos cyberpunk, cuja acção se desenrola, naturalmente, em Marte. Mais propriamente numa prisão, na qual estão detidos membros de uma de duas grandes corporações em guerra pelo controlo da água no planeta vermelho, Aurora. O protagonista, o enigmático Roy Temperance, foi um militar ao serviço de Aurora na batalha contra Abundance, a segunda corporação, despótica e mais poderosa do que a rival. O objectivo de Roy é reunir o apoio de outros prisioneiros para fugir da prisão. O que se seguirá à fuga não se sabe e, provavelmente, só se saberá terminando o jogo, visto que o plano de Temperance não é revelado de início.



Este jogo, lançado pela Focus Home Interactive, é o segundo RPG da Spiders, que até aqui se tinha dedicado sobretudo a aventuras point-and-click - Gray Matter, Faery Legends of Avalon, The Testament of Sherlock Holmes e Sherlock Holmes vs Jack the Ripper resumem o currículo do estúdio. O primeiro role playing game, Of Orcs and Men, editado no ano passado, reuniu alguma crítica favorável, sobretudo pela forma original como coloca o jogador na pele de um orco, auxiliado por um goblin, numa revolta contra a opressão dos humanos. Deste só conheço os vídeos de promoção e pouco mais, portanto não sei se a originalidade se fica pela ironia da premissa, ou vai mais longe. Dizem que sim e, enquanto não testar, faço de conta que acredito. Quanto a Mars: Wars Logs...



Comecemos pelo bom, uma vez que um RPG de ficção científica, por si só, já constitui uma boa notícia (excelente mesmo, dada a raridade de RPGs que não sejam de fantasia).Visualmente, e embora os gráficos não sejam um ponto forte, o jogo está bem conseguido. A palete de cores ajuda a acentuar a ideia de que estamos fechados numa instituição prisional em Marte. O solo é avermelhado e há pó em todo o lado - pode, inclusive, ser usado para distrair inimigos em combate - os edifícios são cinzentos, pouco iluminados e os prisioneiros envergam roupagens gastas, com ar sujo e deteriorado. A par do ambiente, os personagens estão bem definidos e têm as suas próprias agendas; algumas cruzam-se com os interesses de Temperance, outras colocam-lhe entraves. Durante o processo de preparação da fuga, Temperance irá encontrar alguns aliados, como Innocence Smith, um jovem recentemente chegado à prisão. Os nomes não são coincidência ou apenas mau gosto: de acordo com a história de Mars: War Logs, os membros da guilda Aurora recebem sempre um nome ou apelido que corresponde a uma virtude - presumivelmente não apenas as sete virtudes católicas. As escolhas do protagonista alteram o desenrolar dos acontecimentos em pontos fulcrais do enredo, mas para evitar spoilers, não entramos por aí.
E agora o menos bom. Os gráficos já foram mencionados de passagem e aparentam ser de um jogo com mais de dois anos. Talvez se deva ao facto do jogo realmente já estar a ser preparado há mais de dois anos, ou talvez tenha sido uma forma de acelerar o lançamento de Mars: Wars Logs, que não estava previsto para tão cedo. Não obstante a imperfeição, a forma como a parte visual do jogo é apresentada ajuda a encobrir detalhes pouco trabalhados. O que não se pode disfarçar é a interpretação dos actores que dão voz aos personagens. Não é, seguramente, o pior voice acting que tenho ouvido ultimamente, mas também não está entre os melhores. Felizmente houve o cuidado de utilizar os actores mais talentosos em alguns papéis com mais discurso, como é o caso de Roy Temperance. 



O pior defeito do jogo, no entanto, acaba por ser um elogio ao trabalho da Spiders - a curta duração. Não que tenha terminado o jogo, longe disso, mas de acordo com os responsáveis por Mars: War Logs a missão principal, a fuga, pode ser concluída em quinze horas. As missões secundárias não são mencionadas, mas presume-se que não aumentem muito a duração. Quinze horas é manifestamente pouco num jogo em que se pretende que o personagem evolua em vários estilos de habilidades, do combate à perícia técnica, passando pela tecnomancia (a parte cyberpunk do jogo) e ainda usar materiais e peças que encontra pelo caminho para melhorar as armas, e a "armadura", construir bombas e armadilhas e soro vitalizante. Aparentemente não são planeados DLC para prolongar a história - até agora tal não sucedeu em qualquer dos jogos da Spiders -, mas fica no ar a possibilidade de uma sequela.
Em conclusão, os pontos fortes de Mars: War Logs, a história, a atmosfera, a jogabilidade, sobrepõem-se ao grafismo antiquado, ao voice acting com altos e baixos e à curta duração do jogo. E, vale a pena repetir, o facto de ser um RPG de ficção científica é sempre uma mais-valia.

Miguel Ângelo Ribeiro

quarta-feira, 24 de abril de 2013


Uma das encarnações de Shirley MacLaine faz anos hoje. Julgo que é a actriz, mas posso estar enganado.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Vieira sobre Salazauro



Manuel João Vieira fala sobre Salazauro, presente na exposição RISO: "Um objecto que deveria estar presente em cada casa de família portuguesa. Por uma módica quantia de 9999 euros". Aqui está o vídeo.

The "undumbing" down

Isto não é novo, não é sobre jogos novos, não contém novidade nenhuma, mas são os primeiros vídeos que vejo nos últimos tempos a remar contra a maré retro nos videojogos. "Take off you nostalgia goggles" é a mensagem. O autor dos vídeos fala sobretudo na série Elder Scrolls, da Bethesda, mas o princípio subjacente pode aplicar-se a muitos outros jogos.
Os vídeos estão aqui e aqui.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Parabéns "Laura Palmer"

Distraí-me com outros aniversários e esqueci-me que esta menina faz anos!








Dexter: Teaser trailer da última temporada




Já gostei do Dexter, já me irritei com o Dexter, sobretudo já me cansei do Dexter. Mesmo assim consegui acompanhar todas as temporadas menos aquela em que o vilão é o filho do Tom Hanks (temos de ter padrões). A próxima temporada tem a vantagem de ser a última. Estreia dia 30 de Junho. Vamos tentar ver...

Parabéns Jack












Jack Nicholson, o aniversariante do dia e o rosto da Red Room. Nasceu em 22 de Abril de 1937. Parabéns Jack!

domingo, 21 de abril de 2013

O aniversariante do dia é Anthony Quinn



Anthony Quinn, nasceu em 21 de Abril de 1915 em Chihuahua, Mexico. Cresceu muito para alguém nascido em Chihuahua.

Catch .44: Tiro Certeiro (Catch .44)




Catch .44: Tiro Certeiro, que estreou esta semana nas nossas salas de cinema, é tudo menos isso. Refiro-me à parte do tiro certeiro, quanto ao Catch .44, para além de uma referência cruzada (e infeliz) ao livro Catch-22 de Joseph Heller e a um calibre de armas de fogo não sei o que será... Se eu tivesse conseguido acompanhar o enredo sem dormitar, possivelmente teria entendido o título, mas foi impossível tal foi o tédio. O filme conta com Bruce Willis, Forest Whitaker e Brad Dourif no elenco, mas isso não ajuda absolutamente nada. Antes pelo contrário, só o torna ainda mais deprimente. O que raio estavam eles a pensar quando aceitaram entrar neste plágio de Tarantino? Sim, é verdade, Catch .44 vai buscar inspiração à "obra" do mestre cabeçudo, copia descaradamente um alegado cineasta desprovido de qualquer tipo de talento, excepto a capacidade de misturar o melhor da blaxploitation, filmes de acção de Hong Kong, grindhouse e anedotas patetas, criando a mistura (mais ou menos) coesa, mas sem um pingo de originalidade, que deu origem a Reservoir Dogs e Pulp Fiction. E, contra todas as probabilidades, o realizador de Catch .44: Tiro Certeiro, Aaron Harvey, consegue sair-se bastante pior do que Quentin Tarantino, conhecido pelos amigos e apreciadores como QT. Eu continuarei a chamar-lhe Tarantino.
Bom, há que dizê-lo, desde que Tarantino decidiu reinventar-se a crítica elevou-o aos píncaros da glória e os devotos fãs deram piruetas no ar, efervescentes de alegria, mas eu nem sou um crítico, nem um devoto fã e evito efervescer por causa de balofos cabeçudos: o sujeito teve os seus "bons" tempos, quando plagiava alegremente, fazendo valer o seu maior crédito - um conhecimento enciclopédico do mau cinema - transformando mantas de retalhos de clássicos guilty pleasures cinematográficos em blockbusters. E esses foram os seus melhores tempos, quando a crítica não o respeitava. Mas Aaron Harvey, que antes de Catch .44: Tiro Certeiro tinha apenas no seu currículo o filme de terror The Evil Woods, sem a experiência do seu mestre Tarantino - e, provavelmente, sem meios financeiros à altura do projecto, embora tenha conseguido o orçamento suficiente para contratar Bruce Willis - logrou apenas criar um embaraço a ele próprio e aos actores que aceitaram entrar nesta horrenda "homage" ao plágio.
Quanto ao filme, não entrarei em mais pormenores sobre o quanto é mau e vou limitar-me a resumir a sinopse, caso o que antes foi referido seja insuficiente para afastar o hipotético leitor de todas as salas de cinema onde Catch .44: Tiro Certeiro esteja em exibição. Tes (Malin Akerman), Dawn (Deborah Ann Woll) e Kara (Nikki Reed) aspiram subir na vida em Las Vegas graças a um golpe que lhes é proposto por Mel (Bruce Willis). O plano é assaltar um camião que transporta um carregamento de estupefacientes e roubar o conteúdo. Como seria de esperar, o assalto corre mal e o trio de jovens vê-se subitamente confrontado com os mais perigosos gangsters. What happens in Vegas, stays in Vegas. Deixemos Catch .44 por lá.

* (1/10)

Miguel Ângelo Ribeiro

sábado, 20 de abril de 2013

Lançamento de Maddadam anunciado

A data de publicação de Maddadam, o terceiro volume da trilogia distópica com o mesmo nome, da canadiana Margaret Atwood foi finalmente anunciada. A má noticia é que temos de aguardar até ao final de Agosto. O artigo encontra-se aqui.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sweet Tooth


Inglaterra dos anos 70, Serena Frome uma jovem filha de um bispo anglicano, dotada de um talento natural para números, memória fotográfica e uma beleza acima da média é recrutada pelo MI5 graças à intervenção de Tony Canning, um respeitável professor de Cambridge, ex-operacional e amante de Serena durante um verão. Esta é a premissa base do novo livro do escritor britânico Ian McEwan (vou ignorar o titulo em português, Mel, é demasiado sacarino), que é também um retrato dos tumultos políticos da sociedade Inglesa na época e um livro sobre livros.
É difícil classificar esta obra, tem o seu que de mistério, história de amor, thriller de espionagem. É um cocktail de vários elementos que aparentemente não parecem conciliáveis, mas que no seu conjunto resultam num livro que vou classificar elogiosamente como farsa.
Depois de uma licenciatura medíocre em matemática (Serena queria estudar literatura, mas é obrigada pelos pais a aproveitar as suas potencialidades), Serena junta-se ao MI5 num cargo de pouca importância (numa altura em que as mulheres pouco mais que secretárias) até ao dia em que é chamada a integrar o projecto Sweet Tooth. Uma ideia de propaganda anti-comunista velada e delirante ao nível das melhores comédias de espiões. O objectivo é criar uma fundação através da qual a agência possa dar bolsas a jovens autores e jornalistas com inclinações anti-comunista e pró-capitalista na esperança que as ideias se espalhem. A Serena é entregue a tarefa de avaliar e supervisionar o jovem escritor Thomas Haley. Serena apaixona-se primeiro pela escrita de Haley e depois pelo homem. Os dois começam um romance que só pode acabar mal...
Sweet Tooth tem os seus momentos mais fracos, que são justificados e compensados por um final bombástico. É impossível elaborar mais sem revelar demasiado, mas é um livro que vale a pena ler e ler até ao fim.

Sílvia Clemente

O Caçador: Último Tigre da Tasmânia (The Hunter)



Estava anunciado há algum tempo como O Caçador, mas entretanto colaram-lhe o subtítulo Último Tigre da Tasmânia, não fosse alguém pensar que seria uma reposição ou remake do filme de Michael Cimino. Pois, não é esse Caçador, é uma adaptação, sim, mas de um livro da argumentista e realizadora Julia Leigh - autora do argumento de Beleza Oculta (no original Sleeping Beauty), uma drama erótico protagonizado por Emily Browning.
O filme, uma produção australiana, que estreou ontem em Portugal, acompanha uma missão de um caçador profissional, Martin (Willem Dafoe), contratado pela Red Leaf, uma empresa de biotecnologia, para encontrar o último tigre da Tasmânia, um animal que se julgava extinto há mais de 60 anos.
Martin viaja para a Tasmânia, onde fica alojado em casa de Lucy Armstrong, papel interpretado por Frances O'Connor, uma mulher viúva e deprimida, que, apesar de ter dois filhos, cedeu ao peso da doença e passa a maior parte do seu tempo sob o efeito de sedativos. Enquanto Martin procura o tigre, tarefa que revela ser muito complexa e solitária, aproxima-se cada vez mais dos Armstrong e envolve-se nos graves problemas que afectam a família, nomeadamente o misterioso destino trágico do marido de Lucy. A preocupação com ela e com os seus filhos começa a pesar demasiado sobre Martin, dificultando a tarefa que se tinha proposto concluir ao serviço da Red Leaf.
O filme, realizado por Daniel Netheim, um australiano com experiência sobretudo na televisão, é uma obra muito visual, em que as paisagens da Tasmânia acabam por ser uma das principais personagens. As interpretações de Willem Dafoe, Frances O'Connor e Sam Neil não se perdem na beleza das imagens e o enredo, apesar da sinopse dar a entender que se trata de um drama romântico, ganha momentos de tensão, sobretudo a partir da segunda metade do filme.

******* (7/10)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Rock Paper Shotgun: It’s Noisy On Mars – New Mars: War Logs Trailer



Novo trailer do RPG Mars: War Logs, dos mesmos criadores de Of Orcs and Men. O jogo deverá sair no próximo mês, caso não seja novamente adiado.

Dishonored: Lore in a Minute


A história do universo de Dishonored, baseada nos os excertos de livros, diários e cartas que se encontram espalhados pela cidade de Dunwall, resumida num vídeo. E bem resumida.

Game of Thrones RPG (PC) - uma apreciação rápida



Game of Thrones, um RPG produzido pela Cyanide Games e lançado pela Focus Home Interactive, não é um jogo novo, nem foi um grande sucesso de vendas, a crítica não o aclamou como o melhor do ano, nem o desprezou completamente, os jogadores aceitaram-no como um título mediano. Então porque estou a falar dele agora? Dois motivos, um deles porque só agora lhe peguei com a intenção de o jogar, outro porque a terceira temporada de Game of Thrones, a série de TV, estreou recentemente. Há uma coisa em que este jogo mediano é muito superior aos dois portentos que o inspiraram, a colecção de livros de George R. R. Martin e a série da HBO: no jogo da Cyanide há dois protagonistas e quando um deles morre a história acaba. É um princípio básico, simples, mas tem resultado bem. Claro que, como é um jogo, se a morte acontecer algures no meio do enredo podemos sempre carregar o último save, mas não nos obrigam a mudar de personagem de cinco em cinco minutos. Pronto, era isto.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

The Knife of Dunwall - DLC para Dishonored (PC)


Depois de Dunwall City Trials, que não era mais do que uma série de cenários para treinar os poderes e gadgets de Corvo Attano, protagonista de Dishonored, The Knife of Dunwall, lançado ontem, é a a primeira das duas expansões com enredo prometidas pela Bethesda Softworks/ Arkane Studios. Desta feita o protagonista não é Corvo Attano, o ex-guarda costas ao serviço da imperatriz Jessamine, assassinada logo no início de Dishonored. O vingador mascarado é substituído pelo assassino, o infame Daud, The Knife of Dunwall, a quem Michael Madsen empresta novamente a voz.
O enredo deste DLC da Arkane Studios tem início cerca de seis meses após a morte de Jessamine Kaldwin. Corvo Attano já escapou e prepara o salvamento de Emily, a herdeira da imperatriz, e a revolta que deverá retirar o Lord Regent do poder. O caos e a peste tomaram conta de Dunwall e o ambiente físico é opressivo como na campanha original, a palete de cores e os cenários são parecidos, embora não se percorram os mesmos locais por onde Corvo Attano passou. A narrativa (estava a tentar não usar esta palavra, mas foi inevitável) de The Knife of Dunwall cruza-se com o enredo de Dishonored. A primeira cena da expansão é a morte de Jessamine Kaldwin e, ainda que haja depois um lapso temporal, prevê-se que tudo irá terminar num confronto com Corvo Attano. Esta será o desfecho mais provável, uma vez que [SPOILER] em Dishonored esse confronto acontece e pode acabar com a morte de Daud. Trata-se de uma opção do jogador, matar ou deixar fugir o assassino de Jessamine, mas para acautelar os Corvos mais vingativos, suponho (embora ainda não tenha chegado a esse ponto) que The Knife of Dunwall deverá ter em conta a possibilidade de Daud ter morrido na campanha principal. Claro que nem sempre o "suspension of desbelief" é a primeira coisa na cabeça de quem faz um jogo...



Vamos agora ao que muda. Em primeiro lugar Corvo Attano era um herói mascarado e "mudo" que se queria discreto, para cada jogador interiorizar melhor o personagem. Mas a voz de Daud, a de Michael Madsen, é bem conhecida de quem jogou Dishonored, por isso todas as falas são interpretadas pelo actor de serviço. Existem também menos opções de diálogo, retirando o maior elemento de RPG do jogo. The Knife of Dunwall é um stealth game inteiramente assumido. Além disso Dishonored apresentou-nos um tipo exímio no combate físico, tiro e espada, mas que não dominava, de início, as artes mágicas. Após o seu primeiro encontro com a enigmática entidade The Outsider, Corvo passa a ter a oportunidade de usar runas, encontradas nos cantos mais recônditos da cidade, para aprender habilidades mágicas. Daud, líder de um grupo de criminosos e um assassino veterano, foi contactado pelo Outsider há muito. Assim, ao iniciar nova campanha em The Knife of Dunwall, não só já se tem à disposição uma quantidade de equipamento bastante maior do que dispunha Corvo, como também se dominam algumas capacidades sobrenaturais. Nem tudo são vantagens para o jogador incauto, claro, pois o DLC não acompanha o modo de incremento gradual de dificuldade do jogo. Quando começa, começa a sério, mas é seguro que a campanha será mais curta, apesar da dimensão do DLC (mais de três gigas). Além disso, os poderes de Daud não são exactamente os mesmos de Corvo - o Blink, como não poderia deixar de ser, é partilhado por ambos - o que exige alguma preparação e treino antes de "fincar os dentes" nas presas. Quanto ao equipamento, embora ligeiramente diferente, mantém o mesmo estilo. Difere mais quanto à aquisição de apetrechos, que é feita de modo automático no início de cada missão. Daud pode também pagar para ter "favores", benefícios adicionais que lhe facilitam a vida. Nada de estranho pois, embora Daud também não esteja nas boas graças dos novos senhores de Dunwall, controla um gangue de criminosos.



O que está igual? Basicamente tudo o resto. Continuamos a ter opções, menos comuns nos diálogos, mas de igual modo no que diz respeito às opções que são colocadas a Daud durante a história. A forma de completar as missões permanece não linear e, de certa forma, o mundo aparenta ser mais aberto neste The Knife of Dunwall. Talvez porque as primeiras missões de Dishonored eram pequenas e situavam-se em espaços com pouca margem de manobra, o que não acontece no DLC. No final de cada missão voltamos a ter um quadro explicativo, com o número de alvos abatidos, baixas civis, objectivos concretizados, o grau de caos provocado e - para jogadores mais pacientes do que eu - a indicação de que passaram despercebidos, como verdadeiros assassinos profissionais. O enredo é interessante, não tão rico como o da campanha original, mas tal é compensado pela interpretação vocal de Madsen, um veterano neste tipo de personagens (é verdade que o Corvo silencioso não prejudicou a qualidade do jogo, mas uma boa interpretação vocal é sempre agradável). O grafismo é muito similar, mas varia o suficiente para que não se sinta que se está a fazer o mesmo percurso com outro personagem. The Knife of Dunwall está também pejado de livros, notas, bilhetes, excertos de textos e gravações áudio que ajudam a criar o ambiente, a aumentar a credibilidade do universo de Dunwall e arredores e, ocasionalmente, para adicionar objectivos secundários.



De uma forma geral, a apreciação é positiva. Recorde-se que este habitante da Red Room não terminou o jogo e, por isso, não pode dar o seu veredicto final sobre The Knife of Dunwall. Mas suspeito que, a haver mudanças radicais daqui para a frente serão para melhor e não para pior. Acredito que alguns possam até preferir as missões deste DLC do que as do original. Algumas das mudanças terão ido, certamente, no sentido de agradar aos que estavam insatisfeitos com Dishonored. Como eu não fui um deles, recebi com muito agrado The Knife of Dunwall, que considero igualmente excelente em todos os aspectos. Perdeu apenas a novidade, mas quanto a isso também se pode argumentar que Dishonored não era um jogo original, antes um conjunto de inspirações recriadas num cenário novo. Nessa perspectiva, só Dunwall é que não é novidade para quem joga.