quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dark Skies



Acha que já viu tudo o que havia para ver sobre Greys e abduções por extra-terrestres? Eu também achava que sim, afinal as nove temporadas de X-Files e os variados filmes lançados em meados/ finais dos anos 90 durante a loucura X-fílica deveriam ter enchido as medidas a todos os fãs de conspirações que envolvem ETs cujo objectivo principal não seja telefonar para casa. Em última análise, Sinais (2002), de M. Night Shyamalan e a presença sempre incómoda de Mel Gibson, deveria ter retirado definitivamente a vontade colectiva de observar o Céu em busca de vida extra-terrestre: caso exista, será que conseguem abrir portas? Sinais mostrou-nos que não e é um sinal que tão depressa não se devia tocar nesse tema. Mas Scott Stewart (que realizou o filme Priest (2011), com Paul Bettany no papel principal e o piloto da série Defiance, uma produção televisiva acompanhada de um jogo online alusivo, que estreia em breve no Syfy) tocou e saiu Dark Skies, um filme ainda sem data de estreia marcada em Portugal (o mais provável é nem estrear no cinema) e, segundo o imdb, com o título Os Escolhidos (mas no Brasil, não necessariamente por cá).
A história gira em torno de um casal com dois filhos cuja vida pacata começa a ser afectada por misteriosas intrusões nocturnas na sua casa nos subúrbios de uma qualquer cidade dos EUA. A Polícia não dá grande importância ao caso, a empresa de segurança de que são clientes não lhes dá uma explicação satisfatória, embora tenham alarmes, detectores de movimentos e câmaras de videovigilância espalhadas pela residência. A princípio parece tratar-se de um caso sobrenatural, mas como nenhum dos filhos entra no televisor, nem vomita sopa de ervilhas, após uma apurada pesquisa na Internet, a protagonista desconfia que se trata de algo relacionado com invasões extra-terrestres e convence o marido a visitarem um especialista, Edwin Pollard (J. K. Simmons, actor secundário em, pelo menos, metade das séries de TV norte-americanas). Pollard explica-lhes que embora a batalha naquela altura já esteja quase perdida - os extra-terrestres, por norma, levam o primeiro membro da família com quem estabeleceram contacto e raramente o devolvem -, ainda poderão salvar a pessoa em questão (a esta altura julga-se que seja o filho mais novo do casal), caso se mantenham muito unidos quando os alienígenas vierem efectuar a "recolha". E pronto, não vou contar o final, mas basicamente é isto. Só para terminar, recomenda-se vivamente este filme a quem tenha saudades de Felicity, a série de TV e a sua protagonista, Kerri Russell, porque ela é a actriz principal do filme e as oportunidades para ver uma Felicity trintona no grande ecrã não são assim tantas. Recomenda-se também a quem já tenha sido raptado por extra-terrestres (e devolvido à procedência por algum motivo) ou a quem suspeite que esteja para breve (assim pode precaver-se). De resto, não é filme que entusiasme particularmente.

*** (3/10)

Miguel Ângelo Ribeiro