domingo, 21 de abril de 2013

Catch .44: Tiro Certeiro (Catch .44)




Catch .44: Tiro Certeiro, que estreou esta semana nas nossas salas de cinema, é tudo menos isso. Refiro-me à parte do tiro certeiro, quanto ao Catch .44, para além de uma referência cruzada (e infeliz) ao livro Catch-22 de Joseph Heller e a um calibre de armas de fogo não sei o que será... Se eu tivesse conseguido acompanhar o enredo sem dormitar, possivelmente teria entendido o título, mas foi impossível tal foi o tédio. O filme conta com Bruce Willis, Forest Whitaker e Brad Dourif no elenco, mas isso não ajuda absolutamente nada. Antes pelo contrário, só o torna ainda mais deprimente. O que raio estavam eles a pensar quando aceitaram entrar neste plágio de Tarantino? Sim, é verdade, Catch .44 vai buscar inspiração à "obra" do mestre cabeçudo, copia descaradamente um alegado cineasta desprovido de qualquer tipo de talento, excepto a capacidade de misturar o melhor da blaxploitation, filmes de acção de Hong Kong, grindhouse e anedotas patetas, criando a mistura (mais ou menos) coesa, mas sem um pingo de originalidade, que deu origem a Reservoir Dogs e Pulp Fiction. E, contra todas as probabilidades, o realizador de Catch .44: Tiro Certeiro, Aaron Harvey, consegue sair-se bastante pior do que Quentin Tarantino, conhecido pelos amigos e apreciadores como QT. Eu continuarei a chamar-lhe Tarantino.
Bom, há que dizê-lo, desde que Tarantino decidiu reinventar-se a crítica elevou-o aos píncaros da glória e os devotos fãs deram piruetas no ar, efervescentes de alegria, mas eu nem sou um crítico, nem um devoto fã e evito efervescer por causa de balofos cabeçudos: o sujeito teve os seus "bons" tempos, quando plagiava alegremente, fazendo valer o seu maior crédito - um conhecimento enciclopédico do mau cinema - transformando mantas de retalhos de clássicos guilty pleasures cinematográficos em blockbusters. E esses foram os seus melhores tempos, quando a crítica não o respeitava. Mas Aaron Harvey, que antes de Catch .44: Tiro Certeiro tinha apenas no seu currículo o filme de terror The Evil Woods, sem a experiência do seu mestre Tarantino - e, provavelmente, sem meios financeiros à altura do projecto, embora tenha conseguido o orçamento suficiente para contratar Bruce Willis - logrou apenas criar um embaraço a ele próprio e aos actores que aceitaram entrar nesta horrenda "homage" ao plágio.
Quanto ao filme, não entrarei em mais pormenores sobre o quanto é mau e vou limitar-me a resumir a sinopse, caso o que antes foi referido seja insuficiente para afastar o hipotético leitor de todas as salas de cinema onde Catch .44: Tiro Certeiro esteja em exibição. Tes (Malin Akerman), Dawn (Deborah Ann Woll) e Kara (Nikki Reed) aspiram subir na vida em Las Vegas graças a um golpe que lhes é proposto por Mel (Bruce Willis). O plano é assaltar um camião que transporta um carregamento de estupefacientes e roubar o conteúdo. Como seria de esperar, o assalto corre mal e o trio de jovens vê-se subitamente confrontado com os mais perigosos gangsters. What happens in Vegas, stays in Vegas. Deixemos Catch .44 por lá.

* (1/10)

Miguel Ângelo Ribeiro