quinta-feira, 11 de abril de 2013

E os mortos continuam a andar...




Aproveito o interregno na série de televisão como desculpa para gabar e publicitar aquele que foi considerado um dos melhores jogos de computador de 2012, não só na minha cabeça, mas por profissionais que supostamente deviam perceber do assunto: The Walking Dead -The Game. Um mix entre aventura gráfica point and click e RPG.
O jogo baseia-se nos comics e também na série de TV. O aspecto gráfico é cartoonesco, como é habitual nas aventuras gráficas, mas neste caso remete mesmo para uma novela gráfica daquelas bem desenhadas. A nível de estrutura o jogo é construído como se fosse uma série de TV. Dividido em cinco partes, cada uma correspondendo a um episódio. A Telltale Games já tinha usado este modelo em outro jogo com uma adaptação de Law & Order (zzzzz), mas em The Walking Dead vai mais além. E o sucesso da primeira "temporada" já garantiu a edição de um segunda.
The Walking Dead foge ao mal de todas as aventuras gráficas, descobrir que combinação alucinada e sem lógica nenhuma de objectos nos leva para a próxima combinação ainda mais ilógica. Em vez de se centrar na resolução de puzzles, o jogo incide na história, no desenvolvimento de personagens e das relações entre o grupo. São as nossas escolhas que fazem a acção seguir em frente.
A história do jogo é original e independente do restante universo Walking Dead, mas com a presença especial de personagens conhecidas, Glenn e Hershel. Jogamos Lee Everett um pacato professor universitário a caminho da prisão por ter morto o amante da mulher à pancada. Graças aos zombies Lee nunca chega à prisão. Enquanto tenta descobrir o que se está a passar, Lee encontra Clementine, uma criança de oito anos, sozinha em casa, com uma babbysitter zombie. A protecção de Clementine torna-se rapidamente a prioridade do nosso personagem e mesmo para quem abomina crianças é difícil não criar empatia. É esse o segredo do sucesso do jogo. Uma história bem construída com personagens e diálogos interessantes, que permitem criar empatia e antipatia com todos os personagens. Ao jogar esta história é quase impossível ficarmos indiferentes. Todas as mortes causam impacto, mesmo quando não gostamos da vítima. Com o devido respeito pela banda desenhada, este jogo é para mim a história mais bem conseguida do universo Walking Dead. Aqui fica o trailler: