segunda-feira, 15 de abril de 2013

Hannibal a série de TV ou Move along, nothing to see here...



A propósito da estreia da série Hannibal hoje, segunda-feira, no AXN pareceu-me oportuno voltar a falar nesta produção com Hugh Dancy e Mads Mikkelsen no protagonismo. Já aqui se falou sobre o primeiro episódio da série, que não convenceu este habitante da Red Room. Mas decidi dar-lhe uma oportunidade e esperar pelo segundo. Como, ao contrário de outras produções televisivas com direito a foguetes e banda de mariachi na promoção, esta está a ser emitida pelo AXN com alguns dias de atraso em relação aos EUA, foi possível espreitar alguns minutos de Amuse-Bouche, o episódio número dois, que, por cá, só será emitido na próxima segunda-feira. Já confessei que não assisti ao episódio inteiro, assumo que posso estar a ser precipitado, mas a verdade é que as más impressões deixadas por Apéritif, a estreia, foram acentuadas nos minutos a que tive acesso. Mads Mikkelsen continua a falar como se tivesse fugido do dentista, ainda sob o efeito da anestesia e a vestir-se com o guarda-roupa do avô. Nada tenho contra a o rapaz, acho que já realizou parte do seu potencial em diversas produções independentes - das quais destaco a comédia de terror dinamarquesa Carne Fresca, Precisa-se, por ter algo a ver com a temática canibalesca de Hannibal - mas, em primeiro lugar, o actor não está ao nível dos tornozelos de Anthony Hopkins (metaforicamente falando, óbvio) e, em segundo lugar, o personagem está completamente deslocado e melhor teriam feito se não tivessem recorrido a ele para justificar o investimento. Quanto a Hugh Dancy, na pele do agente especial Will Graham, permanece constantemente à beira de um ataque de nervos e a sua presença histriónica põe-me a mim nervoso e com vontade de ir ver outra coisa qualquer. Desde que a coisa em questão não seja apresentada pela Júlia Pinheiro. Sendo assim, depois dos aperitivos e das entradas eu vou dispensar a sopa, o prato de carne e o segundo prato de carne, vou directo à sobremesa e retiro-me para apanhar um arzinho da noite primaveril. A conta, se faz favor. Se tiverem estômago para aguentar um Hannibal que nada tem de Hannibal - e só precisam de estômago resistente para isso, de resto a série é quase tão inofensiva como o Bambi - deixem-se estar, não se incomodem, nem precisam de levantar-se. Até breve, noutra posta.

Miguel Ângelo Ribeiro