sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sweet Tooth


Inglaterra dos anos 70, Serena Frome uma jovem filha de um bispo anglicano, dotada de um talento natural para números, memória fotográfica e uma beleza acima da média é recrutada pelo MI5 graças à intervenção de Tony Canning, um respeitável professor de Cambridge, ex-operacional e amante de Serena durante um verão. Esta é a premissa base do novo livro do escritor britânico Ian McEwan (vou ignorar o titulo em português, Mel, é demasiado sacarino), que é também um retrato dos tumultos políticos da sociedade Inglesa na época e um livro sobre livros.
É difícil classificar esta obra, tem o seu que de mistério, história de amor, thriller de espionagem. É um cocktail de vários elementos que aparentemente não parecem conciliáveis, mas que no seu conjunto resultam num livro que vou classificar elogiosamente como farsa.
Depois de uma licenciatura medíocre em matemática (Serena queria estudar literatura, mas é obrigada pelos pais a aproveitar as suas potencialidades), Serena junta-se ao MI5 num cargo de pouca importância (numa altura em que as mulheres pouco mais que secretárias) até ao dia em que é chamada a integrar o projecto Sweet Tooth. Uma ideia de propaganda anti-comunista velada e delirante ao nível das melhores comédias de espiões. O objectivo é criar uma fundação através da qual a agência possa dar bolsas a jovens autores e jornalistas com inclinações anti-comunista e pró-capitalista na esperança que as ideias se espalhem. A Serena é entregue a tarefa de avaliar e supervisionar o jovem escritor Thomas Haley. Serena apaixona-se primeiro pela escrita de Haley e depois pelo homem. Os dois começam um romance que só pode acabar mal...
Sweet Tooth tem os seus momentos mais fracos, que são justificados e compensados por um final bombástico. É impossível elaborar mais sem revelar demasiado, mas é um livro que vale a pena ler e ler até ao fim.

Sílvia Clemente