quarta-feira, 17 de abril de 2013

The Knife of Dunwall - DLC para Dishonored (PC)


Depois de Dunwall City Trials, que não era mais do que uma série de cenários para treinar os poderes e gadgets de Corvo Attano, protagonista de Dishonored, The Knife of Dunwall, lançado ontem, é a a primeira das duas expansões com enredo prometidas pela Bethesda Softworks/ Arkane Studios. Desta feita o protagonista não é Corvo Attano, o ex-guarda costas ao serviço da imperatriz Jessamine, assassinada logo no início de Dishonored. O vingador mascarado é substituído pelo assassino, o infame Daud, The Knife of Dunwall, a quem Michael Madsen empresta novamente a voz.
O enredo deste DLC da Arkane Studios tem início cerca de seis meses após a morte de Jessamine Kaldwin. Corvo Attano já escapou e prepara o salvamento de Emily, a herdeira da imperatriz, e a revolta que deverá retirar o Lord Regent do poder. O caos e a peste tomaram conta de Dunwall e o ambiente físico é opressivo como na campanha original, a palete de cores e os cenários são parecidos, embora não se percorram os mesmos locais por onde Corvo Attano passou. A narrativa (estava a tentar não usar esta palavra, mas foi inevitável) de The Knife of Dunwall cruza-se com o enredo de Dishonored. A primeira cena da expansão é a morte de Jessamine Kaldwin e, ainda que haja depois um lapso temporal, prevê-se que tudo irá terminar num confronto com Corvo Attano. Esta será o desfecho mais provável, uma vez que [SPOILER] em Dishonored esse confronto acontece e pode acabar com a morte de Daud. Trata-se de uma opção do jogador, matar ou deixar fugir o assassino de Jessamine, mas para acautelar os Corvos mais vingativos, suponho (embora ainda não tenha chegado a esse ponto) que The Knife of Dunwall deverá ter em conta a possibilidade de Daud ter morrido na campanha principal. Claro que nem sempre o "suspension of desbelief" é a primeira coisa na cabeça de quem faz um jogo...



Vamos agora ao que muda. Em primeiro lugar Corvo Attano era um herói mascarado e "mudo" que se queria discreto, para cada jogador interiorizar melhor o personagem. Mas a voz de Daud, a de Michael Madsen, é bem conhecida de quem jogou Dishonored, por isso todas as falas são interpretadas pelo actor de serviço. Existem também menos opções de diálogo, retirando o maior elemento de RPG do jogo. The Knife of Dunwall é um stealth game inteiramente assumido. Além disso Dishonored apresentou-nos um tipo exímio no combate físico, tiro e espada, mas que não dominava, de início, as artes mágicas. Após o seu primeiro encontro com a enigmática entidade The Outsider, Corvo passa a ter a oportunidade de usar runas, encontradas nos cantos mais recônditos da cidade, para aprender habilidades mágicas. Daud, líder de um grupo de criminosos e um assassino veterano, foi contactado pelo Outsider há muito. Assim, ao iniciar nova campanha em The Knife of Dunwall, não só já se tem à disposição uma quantidade de equipamento bastante maior do que dispunha Corvo, como também se dominam algumas capacidades sobrenaturais. Nem tudo são vantagens para o jogador incauto, claro, pois o DLC não acompanha o modo de incremento gradual de dificuldade do jogo. Quando começa, começa a sério, mas é seguro que a campanha será mais curta, apesar da dimensão do DLC (mais de três gigas). Além disso, os poderes de Daud não são exactamente os mesmos de Corvo - o Blink, como não poderia deixar de ser, é partilhado por ambos - o que exige alguma preparação e treino antes de "fincar os dentes" nas presas. Quanto ao equipamento, embora ligeiramente diferente, mantém o mesmo estilo. Difere mais quanto à aquisição de apetrechos, que é feita de modo automático no início de cada missão. Daud pode também pagar para ter "favores", benefícios adicionais que lhe facilitam a vida. Nada de estranho pois, embora Daud também não esteja nas boas graças dos novos senhores de Dunwall, controla um gangue de criminosos.



O que está igual? Basicamente tudo o resto. Continuamos a ter opções, menos comuns nos diálogos, mas de igual modo no que diz respeito às opções que são colocadas a Daud durante a história. A forma de completar as missões permanece não linear e, de certa forma, o mundo aparenta ser mais aberto neste The Knife of Dunwall. Talvez porque as primeiras missões de Dishonored eram pequenas e situavam-se em espaços com pouca margem de manobra, o que não acontece no DLC. No final de cada missão voltamos a ter um quadro explicativo, com o número de alvos abatidos, baixas civis, objectivos concretizados, o grau de caos provocado e - para jogadores mais pacientes do que eu - a indicação de que passaram despercebidos, como verdadeiros assassinos profissionais. O enredo é interessante, não tão rico como o da campanha original, mas tal é compensado pela interpretação vocal de Madsen, um veterano neste tipo de personagens (é verdade que o Corvo silencioso não prejudicou a qualidade do jogo, mas uma boa interpretação vocal é sempre agradável). O grafismo é muito similar, mas varia o suficiente para que não se sinta que se está a fazer o mesmo percurso com outro personagem. The Knife of Dunwall está também pejado de livros, notas, bilhetes, excertos de textos e gravações áudio que ajudam a criar o ambiente, a aumentar a credibilidade do universo de Dunwall e arredores e, ocasionalmente, para adicionar objectivos secundários.



De uma forma geral, a apreciação é positiva. Recorde-se que este habitante da Red Room não terminou o jogo e, por isso, não pode dar o seu veredicto final sobre The Knife of Dunwall. Mas suspeito que, a haver mudanças radicais daqui para a frente serão para melhor e não para pior. Acredito que alguns possam até preferir as missões deste DLC do que as do original. Algumas das mudanças terão ido, certamente, no sentido de agradar aos que estavam insatisfeitos com Dishonored. Como eu não fui um deles, recebi com muito agrado The Knife of Dunwall, que considero igualmente excelente em todos os aspectos. Perdeu apenas a novidade, mas quanto a isso também se pode argumentar que Dishonored não era um jogo original, antes um conjunto de inspirações recriadas num cenário novo. Nessa perspectiva, só Dunwall é que não é novidade para quem joga.