sexta-feira, 31 de maio de 2013

In Memoriam - Rainer Werner Fassbinder

Nascido em 31 de Maio de 1945, na Baviera, Alemanha, morreu em 10 de Junho de 1982. Uma filmografia (muito resumida) em imagens:










Clint Eastwood é o aniversariante do dia














Clint Eastwood nasceu em 31 de Maio 1930, em San Francisco, EUA. Actor, realizador, produtor, ocasionalmente músico e compositor, Eastwood é uma figura incontornável no cinema mundial. Figura mítica do western spaguetti, transportou depois a crueza e o estilo do mestre Leone para o western norte-americano. Figura mítica do cinema de acção, encarnou um dos mais duros e controversos polícias da ficção, "Dirty" Harry Callahan. Integrou o elenco de um vasto número de filmes de guerra de culto (entre eles Kelly's Heroes e Where Eagles Dare). Como realizador foi, provavelmente, um passo à frente do que alguma vez foi como actor, com filmes como Unforgiven, True Crime, Million Dollar Baby e Gran Torino no currículo. Menciono apenas estes porque foram os que a crítica considerou merecedores de apreço e de galardões, uma vez que o público já apreciava os filmes dirigidos e protagonizados pelo senhor Eastwood muito antes da Academia o ter "descoberto". Faz hoje 83 anos.

Miguel Ângelo Ribeiro

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Gangsters da Velha Guarda (Stand Up Guys) [Repost editado]



[Quando escrevi sobre este filme por altura da primeira data de estreia agendada, 28 de Março, o título ainda era Gangsters à Moda Antiga. Uma vez que o título mudou para Gangsters da Velha Guarda e, agora, a estreia já está definitivamente marcada para a próxima quinta-feira, dia 6 de Junho, recupero este post esquecido no meio dos restantes. É que este filme merece mesmo ser visto.]

Stand Up Guys gira em torno de três gangsters idosos, um deles reformado, o outro retirado à força pois está preso há quase três décadas, um deles ainda no activo. Mas mais do que isto é uma história sobre laços de amizade que perduram, uma narrativa comovente, mas não lamechas, sobre a honra entre ladrões, redenção, valores antiquados e como a terceira idade nem sempre é sinónimo de estar sentado com uma manta sobre as pernas a assistir a maus programas na TV. Val (Al Pacino) saiu da prisão 28 anos após ter sido o único do seu gangue a ser capturado pela Polícia, durante um golpe que correu mal. Val manteve o silêncio e não delatou os cúmplices. À sua espera, à porta da penitenciária, está Doc (Christopher Walken), um dos gangsters que se safou à condenação, graças ao seu velho amigo. Mas o papel de Doc é dúbio, pois ele foi contratado por Claphands (Mark Margolis), o mentor do antigo gangue, para eliminar Val. Claphands respeita o silêncio de Val, mas quer vingar a morte do filho, pela qual culpa todo o grupo, sobretudo o personagem interpretado por Pacino. Doc não quer matar Val, naturalmente. Embora tenham passado quase 30 anos ele era o seu melhor amigo. E a lealdade não tem preço. Mas a vida também não o tem e, caso não cumpra o contrato, Claphands tratará de eliminar ambos. Perante a hesitação de Doc, é-lhe dado um prazo cuja limite termina às dez horas do dia seguinte à libertação de Val. Mas antes de mais, o que o homem acabado de sair da prisão quer é divertir-se. Reunir o antigo grupo, do qual sobreviveu também o motorista Hirsch (Alan Arkin), para uma noite de álcool, drogas, sexo e, eventualmente, um último golpe. A tensão é evidente e, mesmo antes de Doc revelar o seu plano, Val desconfia que Claphands planeia matá-lo. Isso não impede, porém, que Val se queira divertir, apesar dos prudentes conselhos de Doc. Hirsch, cuja vida tomou um rumo mais calmo, a princípio está relutante em acompanhar os dois amigos, mas acaba por viver uma noite inesquecível e revelar uma vigorosa performance sexual que espanta as prostitutas do bordel que frequentavam enquanto jovens (agora gerido pela filha da anterior "madame"). Sucedem-se os momentos francamente hilariantes enquanto o trio de veteranos do crime mostra ao mundo que já não se fazem gangsters como antigamente. Embora o argumento não dê a Al Pacino grande oportunidade para os seus clássicos monólogos "pacínicos", o personagem está muito bem construído e é feito à medida do actor. Ele veste-o com elegância e notória facilidade. Christopher Walken... Bom, Christopher Walken é Christopher Walken num papel de Christopher Walken - um pouco mais duro e sinistro do que em Sete Psicopatas, mas numa linha similar. Se o seu personagem não domina o filme é porque está lá Pacino, mas dividem o protagonismo de forma exemplar. Não há atropelos possíveis, os dois actores são tão ou mais veteranos do que os seus personagens. Alan Arkin, por seu turno, está encarregue do lado mais cómico da película, embora acabe por ser também vítima de alguns dos momentos dramáticos. Encarrega-se com excelência do condutor de fugas e completa um trio brilhante. Quer isto dizer que é um filme com todos os ingredientes que se pode pedir: Acção, humor, drama e um tiroteio final - de salientar que a cena final, que deixa a conclusão em aberto, é um tratado de bom cinema, que ficará para a história. É verdade que filmes sobre veteranos do crime que se juntam, muitos anos depois, para golpes finais é um cliché  da Sétima Arte, mas este é um cliché com Al Pacino, Christopher Walken e Alan Arkin - e também Julianna Margulies, Vanessa Ferlito, Craig Sheffer e Mark Margolis em papéis secundários - realizado por Fisher Steven, que sendo mais conhecido enquanto actor, não é propriamente um estreante. Pode não parecer, mas provavelmente será um dos melhores filmes do ano, pelo menos para quem aprecia filmes simples e com coração, tripas e alma, que tocam temas duros e dramáticos sem pieguice. E este tem isso tudo e mais alguma coisa.

Miguel A. Ribeiro

******** (8/10)

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Club Silencio apresenta: Metropolis (1927)












Antes que me esqueça que existem rubricas na Red Room, lembrei-me hoje de incluir mais uma galeria no Club Silencio. Metropolis, de 1927, com argumento de Thea Von Harbou e uma das mais célebres obras de Fritz Lang. Provavelmente deveria ter sido das primeiras películas mencionadas neste espaço, mas não calhou. Ainda vai a tempo, é um clássico intemporal.

Os abomináveis Burton & Depp





A propósito da recente notícia que Tim Burton está a planear, numa habitual parceria com o seu actor fetiche Johnny Depp, um remake do clássico The Abominable Dr. Phibes (1971), ontem à noite revi o filme de culto de Robert Fuest, protagonizado por Vincent Price.
Em primeiro lugar reconheço que, independentemente do estatuto da película no currículo do admirável senhor Price, não se encontra na lista das minhas preferências. Será uma questão de gosto - bom ou mau -, mas no meu Top 10 de Price a maioria dos lugares estão ocupados pelas adaptações de Poe realizadas por Roger Corman, excepções feitas aos excelentes House on Haunted Hill (1959), de William Castle, e The Last Man on Earth (1964), de Ubaldo Ragona. Phibes é excessivamente "camp" e sofre com a falta de diálogos do protagonista, justificados plenamente pelo enredo, mas que não deixam de ser, na minha opinião, um problema: a voz de Vincent Price faz falta. Feita esta observação, é um bom filme que merece ser considerado um clássico do terror. Resta saber se merece ser "vítima" de um remake.



Em segundo lugar, gostaria de esclarecer que fui - e gostaria de voltar a ser - um admirador do trabalho de Tim Burton. Beetle Juice (1988), Batman (1989), Edward Scissorhands (1990), Ed Wood (1994), Mars Attacks! (1996), Sleepy Hollow (1999) e Big Fish (2003) são todos bons filmes. Alguns alcançam mesmo a marca da excelência e metade deles são protagonizados por Johnny Depp. Os problemas começam depois de Big Fish, ainda que pelo meio das películas antes referidas surjam trabalhos menos bons, como o remake de Planet of the Apes (2001). Charlie and the Chocolate Factory (2005), Corpse Bride (2005), Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (2007), Alice in Wonderland (2010) e Dark Shadows (2012) são uma sequência de filmes em que a imbecilidade dos enredos, a miserável prestação dos actores, a infantilidade dos temas e a completa ausência de sobriedade na cenografia, guarda-roupa, efeitos visuais e maquilhagem transformaram a obra de Burton num circo e Johnny Depp e Helena Bonham Carter em dois palhaços.



Ainda a propósito do título gostaria de acrescentar que nada tenho contra Johnny Depp. Para além de Edward Scissorhands, Sleepy Hollow e Ed Wood, os filmes de Burton que protagonizou e que eu aprecio, também adianta salientar a interpretação do actor em Benny & Joon (1993), What's Eating Gilbert Grape (1993), Don Juan deMarco (1994), Nick of Time (1995) , Donnie Brasco (1997), Fear and Loathing in Las Vegas (1998) e The Ninth Gate (1999). É verdade que eu muitos destes está à sombra de nomes maiores do cinema como Marlon Brando, Al Pacino, Christopher Walken ou Frank Langella, mas isso não diminui o seu papel. Até 2003, ano em que (aparentemente) vendeu a alma à Disney em troca do papel de Jack Sparrow, era um actor. Depois tornou-se numa espécie de transformista do cinema, não porque esteja propositadamente a vestir-se de mulher em todos os filmes, mas porque acaba sempre por parecer uma matrafona.



The Abominable Dr. Phibes seria, à primeira vista, devido à sua "campiness" e alguns excessos e bizarrias próprios dos anos 70, o ideal para esta dupla, depois dos últimos filmes que fizeram. Infelizmente são mesmo estas características que fazem temer o pior, porque permitirão a Burton & Depp darem vazão à sua actual tendência para o ultra-kitsch. Mais grave do que isso, é um filme com Vincent Price, figura que Burton tanto admira (ou admirou) e que lhe fez o grande favor de emprestar a voz à curta-metragem Vincent (1982), quando Burton era apenas mais um funcionário da Disney. Tim Burton haveria, mais tarde, de homenagear o grande Price com o papel do Inventor, escrito propositadamente para o actor, em Edward Scissorhands, e que acabou por ser o último da sua longa carreira. Ora um remake de The Abominable Dr. Phibes ao nível de Dark Shadows ou Sweeney Todd seria o mesmo que cuspir na sepultura de Price e, por muitas homenagens que Burton lhe tenha feito, nenhuma lhe deu o direito de ser rude para com o ilustre falecido.

Miguel Ângelo Ribeiro

terça-feira, 28 de maio de 2013

What Remains: fan fiction com ar profissional

What Remains é uma web series inspirada no jogo The Last of Us (um exclusivo da Playstation). Fica aqui o link, vou agora ver o primeiro episódio.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Parabéns Christopher Lee!












Christopher Lee desafia todos os rótulos e probabilidades quando, aos 91 anos, depois de um longo trecho da carreira ligada ao terror, alcançou ainda maior popularidade em filmes de outros géneros bem diferentes, o caso de Saruman, na trilogia Lord of the Rings e Count Dooku, em Star Wars. Isto a somar a uma estranha e tardia ligação à música, enquanto vocalista de metal (hoje é editado o seu quarto álbum). Nascido em 27 de Maio de 1922, em Londres, Inglaterra, cumpriu o serviço militar na Royal Air Force britânica durante a II Guerra Mundial antes de começar a sua carreira de actor. A popularidade alcançou-a em filmes da Hammer (como Peter Cushing, cujo centenário do nascimento foi assinalado ontem, dia 26 de Maio). tais como The Curse of Frankenstein, Dracula, The Mumy, The Hound of the Baskervilles. Nesta fase, os papéis de vampiro carismático tornaram-se a sua imagem de marca (Dracula: Prince of Darkness, Dracula Has Risen From the Grave, Scars of Dracula), mas repetiu outros vilões icónicos, como é o caso de Fu Manchu (The Face of Fu Manchu, The Vengeance of Fu Manchu, The Blood of Fu Manch). Foi também Sherlock e Mycroft Holmes, Lúcifer e Grigori Rasputin. Na década de 70 interpretou dois papéis históricos, Lord Summerisle no clássico de culto The Wicker Man e Scaramanga, em The Man With the Golden Gun (versus Roger Moore, o James Bond da época). Os anos 80 não foram decididamente o seu melhor período, como não o foram para todos os veteranos do terror e suspense. Depois de muitas participações em películas de série B e produções para a TV, Christopher Lee regressou à ribalta em 2001 no papel de Saruman, no primeiro capítulo da trilogia Lord of the Rings. No ano seguinte seria o principal vilão de Star Wars: The Attack of the Clones e, depois disso, o actor tem estado quase tão activo como nos anos de ouro da sua carreira, ainda que em papéis secundários. Haveria muito mais dizer sobre Sir Christopher Lee, entre factos e rumores, mas então este post tornar-se-ia excessivamente longo.

Miguel Ângelo Ribeiro

In Memoriam - Vincent Price












Vincent Price nasceu em 27 de Maio de 1911, em em St. Louis, EUA e morreu 25 de Outubro de 1993, após uma vasta carreira que o transformou num dos maiores ícones do cinema de terror de sempre. House of Usher, adaptação do livro homónimo de Edgar Allan Poe dirigido por Roger Corman, foi um dos seus primeiros sucessos no cinema enquanto protagonista e marca uma colaboração com o realizador e produtor que daria origem a diversos clássicos, alguns dos quais igualmente inspirados nas obras de Poe: Pit and the Pendulum, The Raven, The Masque of Red Death e The Tomb of Ligeia são alguns deles. House of Wax, The Last Man on Earth, The Fly e The Abominable Dr. Phibes são outros títulos incontornáveis no seu currículo, no qual também se encontram séries de TV como Batman e The Hilarious House of Frightenstein (enquanto narrador).  A partir de meados da década de 70 tornou-se menos activo no grande ecrã e dedicou-se a outra das suas paixões, a culinária, em parceria com a sua segunda mulher, Mary Grant. Regressou, a um ritmo menos intenso, sobretudo para emprestar a sua voz inconfundível a personagens de animação e narrações, mas ainda concluiu o seu legado cinematográfico com a sátira The House of the Long Shadows, Edward Scissorhands e The Whales of August. De todos os actores que tornaram o terror um género respeitável Bela Lugosi seria o mais sinistro, Boris Karloff o que mais se identificou com as suas personagens e Christopher Lee, o único sobrevivente, o mais produtivo, mas aqui na Red Room há um lugar especial para o inesquecível senhor Price.

Miguel Ângelo Ribeiro