quarta-feira, 22 de maio de 2013

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3)



Temi o pior quando soube que o terceiro capítulo do Homem de Ferro - talvez o derradeiro com Robert Downey Jr. - seria entregue ao realizador Shane Black. É verdade que Black tem um bom filme no currículo, Kiss Kiss Bang Bang, um policial noir igualmente protagonizado por Robert Downey Jr. (e Val Kilmer). O problema é que a experiência do homem atrás das câmaras resume-se a esse filme. Além deste pormenor, estou plenamente convencido que muito do interesse dos dois anteriores filmes residiu no sentido de humor com que os personagens e o enredo são servidos. O Tony Stark de Downey Jr. é o segredo do sucesso, mas terá ajudado a realização ser de Jon Favreau, um profissional da comédia - cujo trabalho eu não aprecio, mas isso não está em causa. Bom, Jon Favreau não está completamente de fora, tem o seu papel como actor e um cargo, possivelmente apenas nominal, enquanto produtor executivo, mas o filme não perdeu o humor.



As interpretações continuam a ser o melhor da série. Robert Downey Jr. é Tony Stark e o Homem de Ferro continua a ser um capricho de um milionário excêntrico. Enfim, é um filme da Marvel, há sempre a inevitável tentativa de puxar a carta da heroicidade e patriotismo do personagem, fazer o bem e salvar o mundo, and so on... Mas com Downey Jr. fica sempre a sensação que entre as prioridades de Stark distrair-se, sentir a adrenalina, dar espectáculo, impressionar os admiradores, brincar com a tecnologia e destruir objectos grandes com explosões ainda maiores estão todas à frente de salvar o planeta. Entretanto, o coronel James Rhodes (Don Cheadle), com a sua versão de armadura patriota à Capitão América, lá está para representar a figura típica (e tremendamente chata) do super-herói com sentido de dever. E ainda bem, sem isso Homem de Ferro seria, na minha opinião, uma péssima escolha para adaptações ao cinema. Enquanto a armadura for tratada como um bólide de luxo que, por acaso, é antropomórfico, o personagem está protegido do ridículo.



Quanto ao argumento, creio que tem vindo a decair desde o primeiro filme. A primeira entrada na série tinha a vantagem de nos transportar para o passado, relatar a origem do herói e, depois, apresentar Tony Stark em toda a sua magnificência e excentricidade. Ganhou pontos com Jeff Bridges enquanto vilão de serviço. O segundo, fraco em enredo, compensa com mais movimento e vários problemas para Stark lidar em simultâneo, desde desavenças com o governo e o exército dos EUA, a perseguição pelos media, os problemas de saúde e o novo inimigo, Mickey Rourke no papel do brutal Ivan Vanko. Na terceira parte, o grande vilão (ou talvez não) é o Mandarim (Ben Kingsley), uma figura sinistra, misto de Imperador Ming e Osama Bin Laden, que, sempre à distância, ameaça destruir a civilização ocidental e, mais particularmente, o Homem de Ferro. A ameaça mais próxima à vida de Tony Stark vem de Killian (Guy Pearce) e do seu exército de gente com o poder de não-sei-bem-o-quê. Mas são quentes e explosivos. Guy Pearce não é particularmente convincente neste papel (mas é raro Guy Pearce ser convincente num papel) e o detalhes de Stark estar a debater-se com insónias e ansiedade é um pouco estranho e desadequado. Não obstante algumas ideias menos boas, o sentido de humor persiste (provavelmente até mais próximo do primeiro filme, o segundo recordo-o com uma atmosfera menos ligeira) e o entretenimento é garantido. Quanto a mim, o Homem de Ferro termina aqui. Três é a conta que Downey fez e espero que o homem permaneça desinteressado em retomar o personagem - vá lá, se fosse numa aparição esporádica noutro filme da Marvel ainda seria aceitável. Recomendação final: a ver, mas sem criar grandes expectativas.

Miguel Ribeiro

****** (6/10)