segunda-feira, 13 de maio de 2013

Mamã (é o nome do filme, não estou a chamar a mamã)



A propósito do recente Dia da Mãe - e porque no passado domingo ainda não tinha visto o filme - fala-se hoje de Mamã na Red Room. Um filme de terror vem bem recomendado quando é "apresentado por..." Guillermo del Toro. Mas, como já sabe, o apresentado por pode não querer dizer absolutamente nada. Neste caso admito que Del Toro, enquanto produtor executivo, soubesse onde estava a colar o nome. O facto do filme contar no elenco com Jessica Chastain (nomeada para dois Óscares, no ano passado como actriz secundária em The Help - As Serviçais e, este ano, como Actriz Principal pelo seu trabalho em Zero Dark Thirty - Hora Negra) provavelmente deve-se a ter o realizador de o Labirinto do Fauno ligado ao projecto. O realizador de Mamã, o argentino Andrés Muschietti, por seu turno, é um cineasta inexperiente, que conta apenas com dois trabalhos para o grande ecrã no seu currículo, um deles a curta-metragem Mamá (2008), a qual deu origem ao filme de que falamos.
Trata-se de um filme de fantasmas que combina o estilo tradicional da película Hollywoodesca de terror com espíritos - há uma casa abandonada, uma mulher perturbada que se suicidou depois de ter fugido duma instituição dirigida pela igreja, segredos antigos, pó e teias de aranha -, com o elemento de sobrenatural oriental que se tornou quase obrigatório nos filmes de horror povoados por mortos incorpóreos desde que a versão Americana de The Ring (2002) foi um enorme sucesso - e lá temos as habituais manchas de humidade, os cabelos compridos em abundância e pessoas e criaturas que se movem de forma estranha. A isto tudo junta-se uma pitada de fábula, com inspiração do mentor Del Toro, e temos o que faltava ao enredo: duas crianças órfãs criadas por um espírito numa casa no meio de um bosque, durante cinco anos, até serem, finalmente, encontradas por dois velhos (caçadores? lenhadores? agricultores na reforma?) contratados pelo irmão gémeo do pai das irmãs.
O problema de Mamã é perder-se no meio de tantas influências. O enredo não é totalmente desprovida de interesse e tem alguma originalidade na abordagem da história de fantasmas. As representações não são excelentes, mas competentes - de salientar o papel da irmã mais nova, Lilly, interpretada por Isabelle Nélisse, uma pequena selvagem que mal sabe articular uma frase completa, depois de cinco anos de isolamento do mundo.
Em suma, não sendo um filme particularmente interessante, também não é o fracasso absoluto a que o género do terror nos tem habituado com os sucessivos remakes e sequelas feitos para encher salas de cinema com adolescentes devoradores de pipocas. A ver? Sim, para quem é realmente apreciador de terror e, em particular, de histórias de fantasmas.

***** (5/10)