sexta-feira, 14 de junho de 2013

Hyde Park on Hudson (2012)


Hyde Park on Hudson, um drama histórico realizado por Roger Michell baseado numa peça de Richard Nelson, inclui-se no tipo de filme que faço questão de evitar. Passo a explicar: trata-se da história de um alegado romance entre Franklyn Delano Roosevelt com uma prima afastada, Daisy, durante uma estadia do presidente americano na sua casa de campo em Hyde Park, enquanto aguarda a chegada dos reis de Inglaterra, no primeiro encontro entre chefes de Estado dos dois países em território dos EUA. Ou seja, uma espécie de bastidores de reportagem da Hola!, se a Hola!  já existisse na altura e se, existindo, reportasse os segredos que as ilustres figures desejam realmente ocultar.
E então, quer isto dizer que não vi o filme? Vi. Porque é protagonizado por Bill Murray e porque vinha razoavelmente bem recomendado - a actuação de Murray foi nomeada para um Globo de Ouro e Olivia Colman, que interpreta o papel de Elizabeth (mãe de Elizabeth II), foi galardoada, enquanto Melhor Actriz Secundária, pelo British Independent Film Award - achei que merecia uma oportunidade. Mereceu? A reconstituição histórica, o guarda-roupa, os cenários, tudo isso está bastante cuidado. A interpretação de Bill Murray, na pele do presidente Roosevelt, não estando nem perto do melhor nível do actor, ainda assim é suficiente para manter o interesse. É bem secundado por Laura Linney, que encarna a prima Daisy (cujo diário secreto revelou o affair), e também por Olivia Colman, embora esta última faça uma aparição breve. Além disso (entro agora na parte polémica desta crítica), Samuel West faz um melhor George VI do que o excelente imitador de patos que foi premiado com um Oscar pelo mesmo papel (em The Kings Speech), embora - por lapso, certamente - Colin Firth tenha interpretado o papel de Daffy Duck no tal filme tão falado.
Quanto ao argumento de Hyde Park on Hudson, resume-se a uma colagem de banalidades em ambiente bucólico, um discreto romance, que até podia não o ter sido, alguns momentos de humor witty e um desfecho centrado no encontro de Roosevelt com os monarcas britânicos, mas que acaba por ter como ponto fulcral a degustação de um cachorro-quente. Trata-se de um filme ideal para ver em casa numa tarde de Domingo. Já numa sala de cinema não recomendo.

***** (5/10)

Miguel Ângelo Ribeiro