terça-feira, 25 de Junho de 2013

Rollerball (1975)




Rollerball, um clássico algo menosprezado da ficção científica, realizado por Norman Jewison - e submetido, em 2001, à humilhação de um suposto remake absurdo, assinado por John McTiernan - estreou em 25 de Junho de 1975, há 38 anos. O argumento, que adapta um conto de William Harrison intitulado Roller Ball Murder, descreve uma distopia passada num futuro não muito longínquo, no qual as corporações controlam o planeta. Para distrair as massas foi criado um desporto violento, Rolleball, uma espécie de hóquei no gelo, mas com recurso a motos e agressões (quase) ilimitadas. O campeonato da modalidade é disputado por equipas que representam várias áreas do do globo e são patrocinadas pela corporação sediada nessa cidade ou região.




O enredo centra-se sobre a figura de Jonathan E (James Caan), a estrela da equipa de Huston, controlada pela Energy Corporation. Após mais uma tremenda vitória sobre a equipa madrilena, o presidente do conselho de administração da Energy Corporation, Mr. Bartholomew (John Houseman) chama Jonathan à sua presença e explica-lhe que está na altura do atleta se retirar. Gozará, posteriormente, de alguns privilégios normalmente reservados apenas às elites.




Jonathan refugia-se no seu rancho, enquanto pondera sobre o seu futuro e pensa sobre a ex-mulher, Ella (Maud Adams), "atribuída" a um executivo algum tempo antes. Pausa para explicar que nesta distopia os indivíduos - exclusão feita às classes privilegiadas - são apenas engrenagens numa máquina que não compreendem e apenas têm que aceitar. Quando uma nova concubina, Daphne (Barbara Tretham), é atribuída pela corporação ao veterano de Huston, Jonathan começa a ter dúvidas sobre o papel dos indivíduos neste admirável mundo, sobretudo quando descobre que não pode ter acesso a quaisquer livros na biblioteca, uma vez que foram recolhidos para serem classificados e transcritos para um banco de dados. A gota de água ocorre durante um jogo da semi-final, que coloca Huston num frente a frente com Tóquio. Moonpie (John Beck), parceiro de equipa e melhor amigo de Jonathan, é brutalmente agredido e fica em estado vegetativo. Jonathan não confia nos médicos japoneses e exige que Moonpie seja mantido em suporte de vida e transferido para outras instalações médicas.





Perante o comportamento errático de Jonathan, é convocada uma reunião de executivos de corporações, na qual, para sublinhar o valor do Rollerball enquanto instrumento de controlo de massas, cujo objectivo máximo é comprovar a inutilidade do individualismo, é decidido que a final do campeonato será jogada sem tempo limite, substituições ou faltas. O propósito é fazer com que Jonathan decida reformar-se de imediato, ou correr o risco de morrer no último jogo, contra a equipa de Nova Iorque, tendo em conta que ele, enquanto veterano, será o principal alvo do adversário.



Contra todas as probabilidades, Jonathan E não só decide participar no jogo, como sobrevive e garante a vitória da equipa de Huston. O facto mais relevante é a ovação do público a Jonathan - a Jonathan, e não à sua equipa. Nesse preciso momento, tendo como banda sonora a Tocatta e Fuga em D Menor de Bach, o veterano individualista Jonathan E debela os esforços das corporações para transformar o Rollerball numa prova da superioridade do colectivismo absoluto e sem alma.

Miguel Ângelo Ribeiro