segunda-feira, 3 de junho de 2013

The Lament Configuration apresenta: Battle Beyond the Stars (1980)



Realizado por Jimmy T. Murakami em parceria com o mítico Roger Corman, que é também produtor executivo, Battle Beyond the Stars é um dos muitos filmes inspirados pelo clássico Shichinin no Samurai (Os Sete Samurais), de Akira Kurosawa. Na realidade é-o em segundo grau, uma vez que a fonte de inspiração mais óbvia é The Magnificent Seven (1960), western de John Sturges que também se enquadra na linha das adaptações da obra de Kurosawa. Battle Beyond the Stars aproxima-se tanto da película de Sturges que inclui no elenco Robert Vaughn num papel bastante similar ao que interpretou em The Magnificent Seven. Mas, ao invés de montar um cavalo, desta feita desloca-se em nave espacial.




Chegamos ao segundo ponto, que deverá ser já bastante óbvio: Battle Beyond the Stars é um filme de ficção científica, mais propriamente uma space opera, com raízes não só em Kurosawa, mas também em Star Wars. Como se trata de uma produção de Corman - um homem que ficará para a história de Hollwyood não apenas pela quantidade de filmes que tem no currículo, mas também por conseguir criá-los com orçamentos ridiculamente baixos - Battle Beyond the Stars possui outras características peculiares que o tornam num alvo apetecível para a rubrica The Lament Configuration. Convém realçar, apesar de tudo, que, até então, nunca Corman despendera tanto num filme (aproximadamente dois milhões de euros), gastos, em grande parte, no cachet de John Vaughn e de George Peppard, as vedetas do filme - embora nenhum deles seja o protagonista.



Para além de Vaugh, no papel do assassino a soldo Gelt, que poderia perfeitamente chamar-se Lee, e Peppard, que interpreta Cowboy (é isso mesmo, um space cowboy), destaque também para a escultural Sybil Danning, na pele da valquíria futurista St. Exmin. Anos mais tarde, aparentemente com a mesma maquilhagem e um guarda-roupa bastante similar, Danning interpretou Lara, a Rainha da Lua, na comédia Amazon Women on the Moon (1987). O protagonismo do filme cabe a Richard Thomas, um tipo que faz séries de televisão desde os anos 60, mas cujo nome poucos reconhecerão, no papel de Shad, um misto de Luke Skywalker com um dos aldeões mexicanos de Magnificent Seven. Como seu par romântico Thomas tem Darlanne Fluegel, na pele de Nanelia, habitante da mesma colónia agrícola de Shad. O grande vilão é interpretado pelo canastrão John Saxon, que é Sador, o perverso criminoso intergaláctico que destrói planetas porque lhe apetece, ou um motivo do mesmo calibre.




O argumento não é particularmente original, como já foi referido em parágrafos anteriores: Perante a ameaça de Sador e da sua armada de piratas espaciais, Shad parte em busca de mercenários e aventureiros que estejam dispostos a ajudá-lo a defender o seu planeta, habitado unicamente por pacíficos agricultores. Durante a viagem encontra vários candidatos a sete magníficos. Além do "camionista" Cowboy, do assassino Gelt e da valquíria St. Exmin, um mercenário de uma raça alienígena de lagartos antropomórficos e um grupo de sábios extraterrestres com poderes telepáticos completam o grupo que irá defender o planeta de Sador, apesar da oferta de Shad ser basicamente cama, mesa e roupa lavada enquanto o desejarem. Cowboy aceita para justificar a presença de George Peppard no elenco, o lagarto gigante tem contas antigas para ajustar com Sador, a valquíria gosta de aventuras - se bem que o tipo de "aventuras" que ela aprecia não fique completamente esclarecido - os telepatas lá terão as suas razões paranormais e Geld tem o mesmo problema que o seu antepassado do Velho Oeste, matou demasiada gente com amigos poderosos e agora é procurado em todos os planetas civilizados onde existem alfaiates e estalagens de cinco estrelas.




Após uma batalha épica, reduzida aos pontos essenciais porque o orçamento já tinha sido "devorado" pelos dois nomes sonantes do elenco, os bons ganham aos maus, Cowboy e Gelt morrem de forma heróica e St. Exmin exibe generosas porções de carne, sobretudo através do decote. Sador tem o fim que merece, o planeta de agricultores é salvo e Shad e Nanelia vivem felizes para sempre, honrando os veneráveis aventureiros que deram a sua vida para salvar os humildes campónios.
Resumidamente, maus efeitos especiais e visuais, um guarda-roupa altamente piroso, Peppard e Vaughn em piloto-automático (com vantagem para Vaughn porque está a repetir um papel, enquanto Peppard não tinha muita experiência em cóboiadas), Saxon mau como sempre, Sybil boa como sempre naquilo em que costumava ser boa, uma dupla de protagonistas que deixa muito a desejar e um enredo bastante estafado. Estranhamente, o resultado final (como acontece com muitas das produções da velha raposa Corman) é divertido e o filme vê-se e revê-se com agrado, desde que nunca se cometa o pecado cinéfilo de o levar a sério.