segunda-feira, 15 de julho de 2013

A Few Good Movies #4 (2012)

Efeitos da silly season: após alguns dias de quase silêncio, sai mais um Few Good Movies dentro do espírito do #3, resumos de críticas já publicadas anteriormente na Red Room, mas que são bons demais para deixar passar. Além disso está calor, não me apetece escrever... Hitchcock, Seven Psychopaths e Promissed Land.


Hitchcock: Esta não é uma biopic do realizador, antes um retrato de determinado momento na vida de Alfred Hitchcock, o qual coincide em grande parte com a rodagem de Psico, mas também com a pressão sobre o seu casamento com Alma Reville. O filme deixa antever a possibilidade de uma película superior, com um outro argumento que não se limitasse a esta dupla função: mostrar os bastidores de Psico e a conturbada relação do realizador com sua mulher e colaboradora. A narrativa acaba, assim, por ser uma das principais falhas de Hitchcock. Hellen Mirren não está no seu melhor, mas dadas as circunstâncias não precisava de o estar. O resto do elenco não se compara à dupla e, por ter pouco tempo de ecrã, não conta sequer para uma avaliação geral do filme. Mau? Bom? Nem uma coisa, nem outra. Interessante para quem conhece a obra de Alfred Hitchcock, nem tanto para os restantes. ****** (6/10)



Seven Psychopaths: Colin Farrell, Sam Rockwell, Christopher Walken, Woody Harrelson e Tom Waits num filme realizado e escrito por Martin McDonagh, o mesmo de Em Bruges. Só pode ser perfeito, não é? Quase, não fosse o argumento desconstruir (a um nível excessivo) o cinema de acção, enquanto narra uma história tão intrincada, quanto bizarra. Collin Farrell é Marty, um argumentista que atravessa uma grave crise de inspiração, pressionado para escrever o seu próximo enredo, Sete Psicopatas. A ajuda do seu amigo Billy (Sam Rockwell), um actor desempregado que sobrevive das gratificações oferecidas por donos de cães desaparecidos - que ele próprio rapta -, acaba por complicar ainda mais a vida do argumentista, ao envolvê-lo com um grupo de psicopatas reais, com o intuito de ajudar o Marty a levar avante o projecto. Os personagens de Marty confundem-se com as figuras reais dos criminosos (Christopher Walken e Tom Waits são dois deles) e se tal não bastasse para complicar a vida de um argumentista de Hollywood, a vida de todos eles está em risco devido ao amor desconcertante do perigoso gangster Charlie (Woody Harrelson) por um shi tzu raptado por Billy. ******* (7/10)



Promised Land: Gus Van Sant, realizador de O Bom Rebelde, Elephant e Milk, está habituado a tocar em temas polémicos nos seus filmes, desde os massacres em escolas secundárias, ao activismo político do homossexual Harvey Milk, passando pela recomposição frame a frame do clássico Psico, de Alfred Hitchcock. Bom, enfim, este último não debate um tema polémico, é apenas um pouco parvo... Desta vez é a facilidade com que as corporações põem e dispõem das pessoas, das comunidades, da utilização de recursos naturais e dos prováveis riscos que isso possa ter, em prol do lucro. E é também uma visão político-económica sobre a exploração dos menos afortunados. Aqui, ao contrário da maioria dos casos no mundo real, as vozes que se levantam contra o projecto acabam por fazer com um dos funcionários da corporação mude de ideias, ainda que tal não constitua um golpe final nos intentos da empresa. Matt Damon está bem no seu papel (o que muitas vezes não acontece) e Frances McDormand é sempre uma aposta segura, tal como o veterano Hal Holbrook, num dos papéis secundários. A parte positiva está arrumada. Agora chegamos à parte negativa. Um drama com laivos políticos, ambientado na América profunda empobrecida e explorada pela "evil corporation" poderá não ser o filme ideal para o público português. Não fosse o facto da crise ser mundial e temáticas como esta terem começado a invadir a Europa através da comunicação social e documentários virais e ainda seria menos. Hoje em dia talvez já seja possível uma maior identificação com os problemas daquela comunidade, tipicamente norte-americana. Ainda assim, é um filme lento, que vive sobretudo dos dramas pessoais que acarreta a concretização do projecto de exploração de gás. Recomendável a quem gostou de Milk e aprecia o estilo de Gus Van Sant.****** (6/10)

Miguel Ângelo Ribeiro