segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Noite dos Mortos Vivos (Evil Dead, 2013)


Esta crítica já vem tarde, o filme provavelmente já nem está nas salas de cinema, mas tendo em conta que tenho pouco a opinar sobre esta imbecilidade cinematográfica, o meu texto faz tanto sentido como a própria película. Por outras palavras, ambos são inúteis. Sendo assim, talvez o melhor seja não ler mais. Em resumo, adianta tanto ler esta crítica, como ver o filme. E ver Evil Dead, o remake (ou o reboot, ou seja lá  que for) é uma excelente alternativa a assistir a um concerto do Tony Carreira. E é isso...
Então vamos à sinopse, ou pelo menos à minha versão da sinopse. Após uma cena confusa em que assistimos a uma cremação de uma morta-viva, ou uma mulher possuída por espíritos malignos, que é suposto ser um epílogo trocado com o prólogo, começa o enredo brilhante. Um grupo de jovens (jovens "latu sensu", como é habitual neste tipo de filme as idades rondam os vinte e tais, trinta e muitos) deslocam-se para um cabana no meio dos bosques para uma "intervenção", que consiste em ajudar uma das "jovens" do grupo, uma toxicodependente, a largar as drogas. Ideia imbecil? Nem pensar, é um local ermo, ideal para evitar contactos com os dealers e, acima de tudo, uma das convidadas é enfermeira. Entretanto, descobrem na cave da cabana rústica onde estão hospedados vestígios de um estranho ritual, que incluem o que aparenta ser um livro embrulhado em plástico e arame farpado. Claro que um dos personagens, um idiota barbudo vestido como se fosse um secundário do Evil Dead original (isto pode significar que o filme é ambientado nos anos 80 ou, simplesmente, que este filme contém vestígios de hipsterismo) conclui ser boa ideia abrir o livro e ler o seu conteúdo. Depois disso fantasmas japoneses, aparentemente perdidos neste filme, possuem ou infectam os hóspedes da cabana, que se transformam em mistos de zombies com a Linda Blair no The Exorcist. Seguem-se múltiplas referências à trilogia Evil Dead (amputações de membros, moto-serras e citações) e clichés de muitos outros filmes de terror. Um absurdo imenso, tendo em conta que o Evil Dead original é uma comédia de terror, enquanto este filme não tem nada de humor (pelo menos humor pensado como tal) logo, decepar membros para usar o coto como base para uma prótese bélica constituída por uma moto-serra é apenas ridículo. E o filme continua assim até ao final que chega, felizmente, depois de 91 minutos de sofrimento atroz.
Ficam algumas perguntas por responder após a visualização deste excremento: por que raio Bruce Campbell e Sam Raimi produziram Evil Dead, o remake? E, mais grave ainda, se decidiram produzi-lo, por que raio não escolheram um protagonista com queixo? Não que o rapaz (um tal de Shilo Fernandez) seja deficiente, mas ter queixo e ter um queixo digno de substituir o protagonismo de Bruce Campbell são duas coisas bem diferentes. Enfim, o filme é péssimo, mas caso o protagonista tivesse queixo e houvesse mais humor a minha reacção seria menos alérgica. Sendo assim...

** (2/10)

Miguel Ângelo Ribeiro