segunda-feira, 8 de julho de 2013

DARK (PC)


O meu primeiro contacto com DARK, um jogo de acção/stealth com elementos de RPG, editado pela Kalypso Media, foi interrogar-me por que raio estaria o Geralt de Rivia, mais conhecido como The Witcher, num clube nocturno na Los Angeles de Vampire The Masquerade: Bloodlines... E não, não estava sob o efeito de narcóticos, é que Doug Cockle, o profissional que dá voz a Geralt no jogo da CD Projekt Red é o mesmo que interpreta o personagem de DARK. E o senhor Cockle tem uma voz bastante peculiar, a qual não está a tentar, de forma alguma, disfarçar (tendo em conta a popularidade da série The Witcher, suponho que manter o tom de voz de Geralt tenha sido uma exigência no contrato do actor). Quanto à comparação com VtM:B é simples, DARK começa num clube nocturno que faz lembrar um remix do Asylum e o Confession num só. Nada de especial, afinal, tratando-se de vampiros (que não brilham, mas também não são clássicos), o seu elemento natural são as discotecas...





Terminada a explicação, passemos ao concreto. DARK (não estou a gritar o nome do jogo, é suposto escrever este título em caixa alta) coloca-nos na pele de Eric Bane, um homem que perdeu a memória (outra vez semelhanças com o Geralt, raios!) depois de ter sido vampirizado. No clube nocturno onde tudo começa, Sanctuary, vampiros mais "experientes" explicam-lhe o que lhe aconteceu, por que razão tem amnésia, dão-lhe algumas indicações sobre o que é ser um dos Children of the Night - a expressão por eles usada não é esta, mas estou a evitar repetir demasiadas vezes "vampiro" - e, as más notícias, que a sua transformação não ficou completa, uma vez que o responsável pela sua exsanguinação não lhe deu a beber do seu próprio sangue. Assim, Eric, tem que procurar o seu segundo "pai" e pedir-lhe ou, eventualmente, retirar-lhe sem autorização, algum do sangue místico de vampiro, para evitar que, ao fim de alguns dias, se transforme num Ghoul, uma experiência que é descrita como particularmente desagradável.



O jogo propriamente dito começa com a tentativa de Eric de encontrar o seu progenitor vampírico, John E. Blooming, director de um museu, e envolve também a luta contra uma corporação maligna, Geoforge Corp. Até aqui não foi mencionada, nem as imagens que acompanham este texto são totalmente esclarecedoras, mas DARK desenrola-se num futuro próximo, com um toque de cyberpunk. Para o ajudar na sua tarefa, Eric Bane conta com alguns dos poderes e capacidades típicas dos vampiros. Visão melhorada, movimentos silenciosos, eliminar os adversários distraídos com um golpe apenas ou optar por se alimentar deles, controlar a mente dos humanos, matá-los à distância com recurso à telecinese, entre outros.



Então, resumindo, vampiros, acção, stealth, elementos de RPG, poderes sobrenaturais, a voz de Geralt de Rivia, alguma inspiração em VtM:B, mas situando a acção num futuro cyberpunkish, DARK tem tudo para correr bem, certo? Certo, mas nem tudo corre bem. Nunca corre tudo bem... Para além de um visual cartoonesco que, talvez, não seja a melhor opção para este jogo e que, estranhamente, exige demasiado das características técnicas do PC, há uma série de bugs que incomodam um pouco (cadáveres que flutuam, movimentos bruscos que nos levam na direcção errada e outros dentro do mesmo género). No entanto, tendo em conta que ultimamente o mercado dos videojogos tem estado particularmente deserto no que toca a produções com o mais ligeiro toque de role playing game (e DARK tem-no, mesmo não sendo um RPG) e que o voice acting está particularmente bem conseguido (novamente o Witcher) e a história (até onde eu a conheço) está bem pensada, DARK é, provavelmente, uma boa escolha para que não é picuinhas e fica a queixar-se das questões técnicas. Eu não me queixo.

Miguel Ângelo Ribeiro