terça-feira, 2 de julho de 2013

Remember Me (PC)


Remember Me foi lançado no passado mês de Junho pela CAPCOM em várias plataformas - Windows, PlayStation 3 e Xbox 360 - no meio de alguma curiosidade suscitada pelas previsões já publicadas na imprensa da especialidade. Anunciado como um misto de acção, aventura e beat'em up, o jogo foi razoavelmente bem recebido pela crítica, especialmente nas versões para PlayStation 3 e Xbox 360.



Recebido com expectativa, Remember Me não cumpriu na totalidade as suas promessas, embora não seja, de forma alguma, um fracasso. Trata-se de um jogo com um visual extremamente cuidado e uma preocupação com a estética que é de louvar. A cidade futurista de Neo-Paris está soberba - muito superior, na minha opinião, à hiper-colorida e visualmente cansativa Columbia, de Bioshock Infinite. Neo-Paris é sóbria quando o deve ser e futurista o suficiente para obter o visual pós-cyberpunk desejado - na realidade tanto pode ser pós como pré-cyberpunk. Em muitos momentos Neo-Paris faz lembrar a Los Angeles de Blade Runner, mas com a adição de características tipicamente parisienses, como as entradas de Metro Art Nouveau, que lhe dão um aspecto muito peculiar e, diria mesmo, autêntico. A banda sonora, muito menos sóbria do que o grafismo, está bastante bem executada, pecando por alguns excessos durante as cenas de acção, mas totalmente dentro do espírito de um jogo de acção.



A acção em excesso é precisamente o que poderá ser apontado como o grande defeito deste jogo, uma vez que se sobrepõe ao elemento de aventura. Uma das características que mais terá suscitado interesse é a mecânica de manipulação de memórias alheias, uma capacidade da protagonista do jogo, Nilin (a quem a actriz galesa Kezia Burrows dá voz). Em jogo, a referida manipulação de memórias está quase perfeita e a minha única queixa é que aparece muito pouco em comparação com as cenas de combate (as quais se baseiam muito em "combos" de golpes, algo que me desagrada particularmente, mas trata-se apenas de uma opinião pessoal). Finalmente, há muita linearidade no percurso de Nilin, que poderia ter sido evitada, permitindo assim explorar e conhecer melhor o universo de Neo-Paris. Esteticamente os ambientes estão tão interessantes que criam o desejo de haver missões secundárias, de preferência não obrigatórias e sem sequência cronológica, para alimentar a vontade de exploração e descoberta. Infelizmente não é assim e o que temos é um jogo de acção com momentos menos agitados, quando temos a possibilidade de absorver este mundo distópico. Ainda que não seja uma decepção no PC, Remember Me é um jogo pensado sobretudo para as consolas. Mas como falamos aqui na versão para Windows é impossível não salientar outro defeito desta produção desenvolvido pelos franceses Dontnod Enternaiment, que é ser muito mais jogável com um gamepad do que com teclado e rato. Algumas situações em que é necessário mover o o rato rotativamente (?) forçam, praticamente a utilização do gamepad.


Quanto ao enredo, o jogo é ambientado na cidade de Neo-Paris no ano de 2084, num futuro distópico em que a maioria da população recorre a um implante cerebral denominado Sensen, produzido pela corporação Memorize. Sensen permite aos utilizadores partilhar as suas memórias através da Internet e remover ou alterar memórias desagradáveis, o que cria o risco de outros fazerem o mesmo, sem autorização. Permite, igualmente, à corporação Memorize controlar a população através de um meio extremamente eficiente, a alteração das memórias.  A protagonista do jogo, Nilin, integra um grupo de rebeldes, auto-denominado Errorists, que tenta combater a Memorize. O jogo começa com Nilin detida na Bastille Fortress, enquanto os funcionários da corporação tratam de lhe apagar as memórias. O procedimento não decorre da forma esperada e, enquanto o problema é corrigido, Nilin recebe um comunicação de Edge, o líder dos Errorists, que lhe explica quem ela é e o que deve fazer para escapar ao destino que a Memorize pretende dar-lhe.


Nilin consegue fugir da Bastille Fortress para a zona mais decadente da cidade, habitada pelos Leapers, mutantes viciados em roubar memórias, que absorveram demasiado conteúdo e enlouqueceram. São os primeiros inimigos com que Nilin se debate, até conseguir reencontrar os Errorists. No momento em que estabelece contacto com a organização é, imediatamente, atacada por uma caçadora de prémios, Olga Sedova. Esta é também a primeira oportunidade para Nilin usar o seu talento de "memory remixing", o acto de transformar as memórias alheias. Neste caso um remix de vida ou morte. E mais não digo, que não quero criar "spoilers".

Miguel Ângelo Ribeiro