terça-feira, 2 de julho de 2013

The Ocean at the End of The Lane


Saiu no mês passado o mais recente livro de Neil Gaiman, The Ocean At The End Of The Lane (está tão quentinho que ainda não tem publicação em português). Foi anunciado como o regresso de Gaiman aos livros para adultos, o que me deixou na expectativa de algo na linha de American Gods ou Neverwhere e trepou logo para o topo da lista de livros para ler. Admito que me coloquei a jeito para uma pequena desilusão.
À primeira vista parece tratar-se de mais um livro infanto-juvenil: A aventura de um rapaz de sete anos no mundo do inexplicável, inimaginável e inacreditável, no meio da Inglaterra rural dos anos 70. A história é narrado pelo próprio 40 anos depois. O protagonista volta à aldeia natal para um funeral e é levado pela nostalgia a percorrer os locais da sua infância. A casa onde cresceu já não existe há muitas décadas, mas a quinta ao fundo da estrada, onde moravam as estranhas e fantásticas Hempstocks, continua na mesma. E as memórias começam a despertar. Sentado à beira do charco, que a sua amiga Lettie Hempstock jurava ser um oceano, o narrador começa a relembrar o seu encontro com a magia e com as trevas quando tinha apenas sete anos. O qual tinha apagado da memória por ser demasiado assustador e incompreensível.
É sobretudo o detalhe do narrador que faz a diferença no tom do livro metamorfoseando um conto de fadas numa história sobre a nostalgia da infância, a perda da inocência e a crueldade de termos que crescer.
The Ocean At The End Of The Lane é um conto de fadas reimaginado ao estilo habitual de Gaiman, mas é também um pouco mais realista e negro que o costume. Desde um suicídio na origem de todos os acontecimentos, passando por sexo adúltero e terminando com o pai do protagonista a tentar afogar o filho na banheira, chegamos à conclusão que este não é, de todo, um livro para crianças. Podemos considerá-lo uma ligação ponte entre os livros infanto-juvenis e os livros mais adultos. Apesar de Neil Gaiman ser excelente como autor de contos, o defeito o maior defeito deste livro é ser demasiado curto. Para ler, mas sem a expectativa de ir encontrar um novo American Gods...

Sílvia Clemente