quarta-feira, 3 de Julho de 2013

WWZ: Guerra Mundial (World War Z)


Como é excessivamente complicado tentar explicar o que é World War Z, uma vez que não é muito (é mesmo muito pouco, praticamente nada), opto por escrever algumas centenas de caracteres sobre o que este filme de Marc Forster não é.
Há filmes excelentes, em que todos os elementos funcionam em harmonia perfeita. Entram para a História do cinema. World War Z, definitivamente, não é um deles.
Existem filmes bem realizados, com bons argumentos e grandes interpretações que, por algum motivo inexplicável, não têm alma e são dados como exemplos de trabalhos tecnicamente perfeitos, mas que nunca alcançaram a excelência. World Waz Z não se conta entre eles.
Algumas películas são entregues a realizadores incompetentes ou mal preparados para a tarefa e salvam-se graças a um argumento interessante e a um elenco sólido. World War Z não é um deles.
Determinadas produções para o grande ecrã contam com realizadores inexperientes, ineptos ou que não dominam aquele género de fita em particular, baseiam-se em argumentos fracos e cheios de "buracos", mas ganham vida com interpretações inspiradas. Infelizmente para World War Z, este não é o seu caso.
Certas obras são excessivamente visuais. Colocam tanta ênfase na fotografia, na realização e na montagem, que o enredo e as interpretações ficam em segundo plano. São mais documentários do que filmes, mas mesmo que não encham salas de cinema, costumam ser aclamados pela crítica. World War Z? Por favor... Não, nada disso!
Há também filmes cujo argumento, original ou adaptado, é tão bom que suportam o trabalho inconsistente das equipas técnica e artística. World War Z, baseado no livro homónimo de Max Brooks, poderia ter sido um deles. Mas não é.
Outros filmes, vivem única e exclusivamente de efeitos especiais e visuais, de brutais explosões e intermináveis cenas de violência. Podem até contar com algumas actrizes esculturais que ajudam à festa exibindo um pouco (ou muito) de carne. Ou seja, a maioria dos blockbusters made in Hollywood. World War Z, aparentemente, é um destes, mas depois percebemos que não. Não é.
Algumas películas são tão más a todos os níveis, da realização à fotografia, passando pelo elenco e argumento, que se tornam clássicos de culto e, se não satisfazem do ponto de vista estético, pelo menos entretêm e fazem rir (inadvertidamente) o público. Quem dera a World War Z ser um destes!
Há filmes que são um pastiche de cenas desconexas em que hordas ululantes de zombies correm à velocidade do som atrás de tudo quanto mexe, atiram-se de precipícios e edifícios para depois se levantarem, como se nada fosse, e continuarem a correr estupidamente contra paredes. Filmes em que grupos de zombies, aparentemente mais obcecados em atletismo e números circenses do que no canibalismo feroz, formam pirâmides inumanas para ultrapassar obstáculos naturais ou artificiais. Filmes em que acontece tudo a uma velocidade tão estonteante que deixam os espectadores fisicamente cansados. Filmes em que é tudo tão oco, tão vazio, tão desinteressante que o orçamento desperdiçado em cachets de estrelas, CGI e outras banalidades não serve de nada, porque o todo é um grande balde cheio de nada. Filmes baseados em bons livros, mas que são tão estrondosamente mal executados, que nem dá para perceber exactamente até que ponto se afastaram do material que lhes serviu de base (embora, no meio de todo o frenesim zombie se fique com a sensação que o livro do filho de Mel Brooks serviu para retirar meia dúzia de referências e, talvez, para equilibrar alguma mesa com uma perna demasiado curta). Bom, na verdade o plural foi mal utilizado neste parágrafo: Não há filmes assim, há um e chama-se World War Z. Caso passem por uma sala de cinema onde ele esteja a ser exibido, imitem um zombie do filme e corram loucamente na direcção oposta. É MESMO assim tão mau!

* (1/10)

Miguel Ângelo Ribeiro

Nota: O filme recebe uma estrela simplesmente porque tem imagem, som, banda sonora e porque reconheci alguns dos actores no elenco. Sendo assim, é certo que houve ali uma tentativa, ainda que absolutamente fracassada, de produzir um filme. Na realidade, porém, conseguiram produzir o mais longo, entediante e cansativo trailer para blockbuster da História do cinema.